Rota do Vale do Cabrum Superior, um percurso a não perder em Resende

14/10/2020 19:30

A rota de percursos pedestres do concelho de Resende está dividida em 3 trajetos denominados PR1, PR2 e PR3, e em todos eles, tal como na Grande Rota e nos percursos de BTT, podemos encontrar variados pontos de interesse. O Viseu Now esteve à conversa com Carla Silva, do Departamento de Comunicação da Câmara Municipal de Resende.

Em que ano foi criada a rota e porquê?

A rota de percursos pedestres e BTT no concelho de Resende foi criada pelo projeto “Vivenciar Montemuro” e teve como parceiros o município de Cinfães e a Dolmen – Desenvolvimento Local e Regional, CRL por se ter verificado a falta deste tipo de oferta aos turistas e visitantes. É, portanto, para nós, um veículo de divulgação do património natural e paisagístico do nosso território, promovendo o desenvolvimento económico sustentável e a afirmação desta região enquanto destino privilegiado para a prática destas atividades por quem nos visita. Os percursos foram inaugurados em março de 2019.

Quais são os principais pontos de atração desta rota?

Especificamente na PR1, ou percurso do Vale do Cabrum Superior, podemos encontrar uma paisagem maioritariamente agrícola, onde predominam os lameiros, atravessando vários bosques de floresta autóctone, compostos por carvalhos e freixos.

Esta é uma pequena rota circular com cerca de 9km. Desenvolve-se ao longo do Vale do Cabrum Superior, com início e fim em Ovadas de Baixo, percorrendo as encostas do ribeiro Cabrum. O percurso inicia-se em direção ao Vale do Cabrum, passando na Ponte de Ovadas e no Parque Fluvial até chegar a Covelinhas.

Nesta aldeia, o percurso segue num caminho de meia encosta até um aglomerado de casas e palheiros, o Monte de Covelinhas, que atualmente se encontra abandonado. Continua através de uma zona de pastagens até à Granja e depois até Mariares.

Os caminhantes poderão seguir agora até à Panchorrinha, onde podem percorrer as ruas estreitas e seculares da povoação, observando o seu património histórico e paisagístico, como é exemplo o Marco da Universidade de Coimbra e os lameiros e zonas de bosque.

Na ligação entre a Panchorrinha e Ovadas, atravessa-se novamente o vale e o leito do Cabrum, sendo a ligação entre margens feito por uma peculiar ponte de construção arcaica, mas muito interessante, a Ponte da Panchorrinha.

O percurso continua por vários caminhos rurais, estreitos, empedrados e murados. No Rio Cabrum desaguam diversos ribeiros de cursos sinuosos dos quais saem levadas, como a do “Rego de Boi”, de origem medieval, irrigando terras e movendo o rodízio dos moinhos. Após a passagem em Ovadas, o percurso retorna ao ponto de início.

Que níveis de dificuldade existem? E para quem é direcionada este rota?

Todos os percursos estão classificados com nível fácil, sendo por isso vocacionados para todas as idades.

Qual a melhor altura do ano para a realizar?

É possível realizar os percursos em todas as épocas do ano. A beleza paisagística oferece diferentes cenários ao longo de todas as estações do ano.

Como são os acessos e o socorro em caso de acidente?

Para qualquer eventualidade, os contactos de emergência estão disponíveis no material publicado e nos painéis informativos.

Há algum evento anual em torno da rota?

A intenção é desenvolver e implementar um calendário anual de dinamização dos percursos e, paralelamente, organizar eventos de caráter anual como aconteceu com o “Montemuro BTT Experience”, que contribui de sobremaneira para a divulgação do território.

Grupo Aventura "100Atalhos"

Estão projetadas melhorias ou alterações na rota?

Antes de pensarmos em melhorias ou alterações à rota, temos de pensar em consolidar a dinamização do existente, promovendo as atividades já referidas. No entanto, há que considerar sempre a introdução de melhorias e o aumento da oferta a quem nos visita. Isso poderá passar por estender as rotas até à entrada da região demarcada do Douro ou aproveitamento dos percursos proporcionados pelo vale do Cabrum.

Tem trazido algum retorno para a economia local?

Este tem sido um ano absolutamente atípico, fruto da pandemia provocada pela Covid-19. Não foi possível realizar praticamente nenhuma atividade e algumas que foram agendadas tiveram de ser reprogramadas. Ainda assim, verificaram-se alguns movimentos espontâneos que pretendemos no futuro potenciar.

Os caminhantes são conscienciosos relativamente à preservação e conservação dos espaços naturais?

O público que normalmente procura este tipo de atividade é extremamente consciencioso no que toca à preservação e conservação dos espaços naturais.

Curiosidades:

Moinhos do Rodízio

O concelho de Resende encerra um conjunto de significativo de engenhos de moagem, particularmente moinhos de rodízio, cuja construção, de características arcaicas, se foi confundindo com a serra ao longo do tempo. O trigo e o centeio eram os cereais de eleição que abasteciam os moinhos “alveiros”, de que se fazia o pão mais fino, enquanto que a moagem do milho e da ceva estava destinada aos moinhos “negreiros”.

Nos anos quarenta, os guarda rios, na tentativa de proceder ao registo e legalização destes engenhos, contabilizaram mais de 300 moinhos, ainda em laboração por todo o concelho de Resende. Hoje, embora ainda persistam alguns em laboração, o aparecimento das moagens elétricas e industriais têm contribuído para a decadência progressiva deste processo de farinação.

Ponte da Panchorra

Esta é uma ponte implantada a cerca de 1000 metros de altitude, unindo as margens do rio Cabrum. A travessia aproveita os afloramentos das margens do rio para apoiar os seus pilares, sobre os quais assenta o tabuleiro horizontal com guardas, conferindo-lhe a robustez necessária à passagem de carros agrícolas e à circulação de gado.

Embora a Panchorra seja referida já nas Inquirições [inquérito administrativo] de 1258, só no século XVI se separou do termo de Ovadas, onde se situava o antigo centro religioso da freguesia medieval. Tornou-se, então, curato [paróquia], sendo a ermida de São Lourenço o novo polo religioso.

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