ENTREVISTA: Rio Côvo cria cartão postal em Vila Cova à Coelheira

27/07/2020 20:00

O ViseuNow continua a dar-lhe a conhecer as melhores zonas fluviais no distrito de Viseu. Desta vez, a parada foi em Vila Cova à Coelheira, com a companhia de Jorge Reis, Presidente da Junta de Freguesia.

Esta área ribeirinha de lazer é um dos destaques do Município de Vila Nova de Paiva, quer pela sua simbiose com a natureza, quer pela qualidade das suas águas. Pode nos fazer uma breve apresentação?

Com prazer. Este local  é alimentado pelo Rio Côvo, um rio que nasce na Serra de Leomil e que passa também próximo a Touro, uma freguesia vizinha. Apesar de ficar um pouco deslocado do centro da vila, era aqui que antigamente as pessoas tomavam banho. Com o passar do tempo, foi sendo cada vez mais procurado, até que, um certo dia, o Município de Vila Nova de Paiva, em articulação com a Junta de Freguesia, e em resposta aos desejos do povo, criou uma praia fluvial. Apesar de não se qualificar como praia fluvial, é assim que é designada pelos populares. Foram, então, comprados terrenos envolventes e edificadas as infraestruturas necessárias, acabando por surgir um espaço de lazer maior, uma espécie de parque urbano.

Destaco o cuidado que foi tido em preservar a natureza, o ambiente circundante que já existia. A área ao redor possui muitas rochas, que as pessoas usavam no passado, e continuam lá a manter-se, assim como a vegetação natural. As únicas coisas que foram criadas de novo foram as tais infraestruturas de apoio, que são os balneários e casas de banho, mas mesmo essas são feitas em pedra e madeira. É tudo rústico, de forma a manter o traço original.

Mas o espaço continuou a crescer e a ser adaptado?

Sim. Depois da inauguração da praia fluvial, o espaço foi ficando cada vez mais concorrido. Vinham pessoas de fora que traziam lanches e as famílias reuniam-se aqui para almoços. Chegamos, assim, à conclusão que teríamos de lhes dar mais assistência. Criou-se, então, ali uma churrasqueira e adquiriram-se mesas, para que as pessoas pudessem fazer as suas refeições.

E quem são, maioritariamente, os vossos visitantes?

É difícil tipificar. Nós recebemos topo o tipo de pessoas e de todas as faixas etárias. Com a vinda dos nossos emigrantes, há sempre uma grande afluência durante a época de verão. Recebo, igualmente, chamadas de diversas localidades do país, de interessados que me telefonam para poderem realizar, no recinto, encontros, excursões e eventos diversos. Estou a lembrar-me, por exemplo, do Passeio Portugal de Lés-a-Lés, com mototuristas que passou por Vila Cova à Coelheira. Houve, também, visitas de idosos, utentes de lares das redondezas. Como pode ver, este é um sítio bonito, natural e atrativo para pessoas de várias idades.

Quantas podem lá estar em simultâneo?

Eu iria apontar para aí entre 125 a 150 pessoas, dispersas pela área existente. É claro que este ano é diferente. De forma a mantermos o cuidado e o distanciamento exigidos, optamos por não abrir o bar. Geralmente ele é cedido às associações para poderem retirar de lá algum benefício. Infelizmente, esta época permanecerá encerrado, devido à situação do Covid, a fim de evitarmos ajuntamentos.

Que outros atrativos turísticos tem a freguesia para oferecer?

Além do local para banhos, aconselho a percorrer o Rio Côvo, que é um sítio de extrema beleza. As pessoas vão ficar encantadas não só com a praia, mas também com toda a extensão do rio. Acho que é um sítio a (re)descobrir e falo por experiência própria. Eu cresci aqui e conheço esta região muito bem, mas durante a quarentena levei os meus filhos a passear ao longo das margens e voltei a ficar admirado com a beleza e singularidade das paisagens. A minha mulher, que não é de cá, também ficou encantada e apreciou os diversos moinhos existentes.

Depois também temos o Centro da Memória Judaica, aberto quartas, sextas, sábados, que retrata um pouco da história e da passagem dos judeus pela freguesia. E sendo Vila Cova à Coelheira a localidade mais brasileira de Portugal, não podia esquecer de mencionar o nosso Calvário, mandado construir por emigrantes brasileiros e onde se pode desfrutar de uma vista panorâmica. Saliento, ainda, a réplica do Cristo Rei do Brasil, espelho da nossa ligação ao outro lado do Atlântico. Recentemente, muitos filhos dessas pessoas que emigraram nos anos 60 do século passado estão a regressar à terra mãe, o que é bom para nós. Sentido-nos lisonjeados com isso. Em suma, esta é uma terra que sabe receber e tem muito para oferecer, por isso, fica o convite para virem comprovar.

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