A leitura assume, cada vez mais, um papel decisivo numa época marcada, também ela cada vez mais, pela velocidade e pela abundância de informação digital. Se, por um lado, o ambiente e os recursos on-line vieram facilitar o acesso ao conhecimento, também é verdade que, por outro, vieram aumentar a dispersão, a superficialidade e a dificuldade de concentração. Neste contexto, a leitura – e sobretudo a leitura extensa – concretiza uma atitude de resistência intelectual: é através da leitura que o indivíduo trabalha a profundidade do pensamento, desenvolve a capacidade crítica, a sensibilidade artística e fortalece a autonomia interpretativa. Enquanto as redes sociais privilegiam conteúdos breves e imediatos, cujas fontes nem sempre são credíveis, a leitura extensa e sem pressa exige tempo, concentração e reflexão — competências que são essenciais para compreender um mundo tão complexo quanto saturado de estímulos. Além disso, ao expandir o vocabulário e aprimorar a sintaxe, estimular a imaginação e favorecer a empatia, a leitura constitui um contributo riquíssimo para a formação integral do sujeito leitor, permitindo-lhe escapar das bolhas digitais e dialogar com diferentes perspetivas ou pontos de vista. Não pode, pois, a leitura perder relevância ou ser secundarizada, quer em contexto formal quer informal; pelo contrário, torna‑se ainda mais importante e necessária para que o indivíduo possa navegar com lucidez, discernimento e humanidade no imenso oceano informacional contemporâneo, que se apresenta tão sedutor quanto perigoso.
















