Após a azáfama dos últimos dias de dezembro, janeiro veio e ficou. Impôs-se com os seus dias curtos, frios e cinzentos puxando-nos para a realidade da vida. E lá vamos nós percorrendo estes dias conformando-nos com o facto de todos os desejos do ano novo, às vezes não passarem disso mesmo. A felicidade, a saúde, a paz, tão desejados por vezes não passam de palavras ditas e escritas num qualquer contexto que ficou no passado, perdem-se à medida que os dias passam neste janeiro que não parece terminar.
Quando os seus primeiros dias trouxeram sol, senti-me muito mais motivada para enfrentar mais um ano de trabalho, de desafios e mudanças. Não que o sol melhore as condições da minha vida: o sol não faz parar a inflação, não trava o aumento de juros, não melhora as minhas condições de trabalho… não, mas pelo menos dá-me algum alento para as conseguir suportar e ter esperança que as coisas possam melhorar. Eu, tal como a maioria de nós, tenho necessidade de procurar nas pequenas coisas do dia a dia, como um simples raio de sol a força para continuar a esperar por dias melhores. Também procuro na arte essa força, esse equilíbrio mental para enfrentar os dias menos bons, consciente que não é tarefa fácil… A este propósito há dias encontrei uma notícia muito interessante sobre uma parceria entre o Maat, Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, em Lisboa, e a associação Manicómio, que promove trabalhos de artistas com experiência em doença mental. O projeto, designado por “Consultas sem paredes” contempla precisamente consultas, abertas à comunidade, que são realizadas dentro do museu e no espaço exterior junto ao Tejo. Este projeto tem como objetivo promover a ligação entre a saúde, as artes visuais e a arquitetura. Pretende-se que o museu estabeleça uma relação entre a criação artística e a saúde mental, permitindo assim que as pessoas vivam melhor. Quando a arte se alia à saúde, o resultado só pode fazer bem ao corpo e à alma.
Um projeto que pode iluminar os dias cinzentos, como um raio de sol.
















