ARTIGO DE OPINIÃO:  Quando é que uma gripe deixa de ser só uma gripe? 

06/12/2025 18:30

Dezembro é significado de reencontros e partilha, e também é significado de aumento das infeções respiratórias. 

Entre tosses e espirros, diz-se que “é só uma gripe”, mas a verdade é que nem todas as situações se ficam por aí, sendo de extrema importância reconhecer os sinais de quadros clinicamente mais graves. 

A gripe é, na maioria dos casos, uma doença autolimitada, causada pelo vírus influenza, que se instala de forma súbita com dores no corpo, cansaço intenso, tosse e, por vezes, febre. Habitualmente, os sintomas melhoram ao fim de três a sete dias, com medidas de cuidado gerais, ainda que a tosse seca possa persistir por algumas semanas. 

Até aqui, trata-se de um quadro vulgar de gripe. O problema surge quando estas manifestações ultrapassam o padrão habitual, nomeadamente quando a febre persiste sem melhoria após três dias ou com toma de antipiréticos, quando surge falta de ar ou dificuldade em respirar, quando o cansaço impede a realização de tarefas habituais e se associa a confusão mental ou sonolência excessiva, ou até quando os sintomas melhoram e voltam a piorar alguns dias depois. Estes sinais podem indicar complicações e justificam avaliação médica. 

É também fundamental reconhecer que há grupos de pessoas mais vulneráveis, para as quais a gripe pode vir acompanhada de complicações – idosos, crianças pequenas, grávidas, pessoas com patologias crónicas ou pessoas imunodeprimidas. Assim sendo, especialmente nesta época do ano, marcada por convívios, há pequenas medidas que podem ter um grande impacto na prevenção de situações clínicas complexas: 

  • Manter atualizada a vacinação contra a gripe e outros vírus respiratórios; 
  • Lavar as mãos com frequência; 
  • Ventilar espaços fechados; 
  • Evitar contactos próximos se houver sintomas de infeção respiratória; 
  • Procurar ajuda na presença de sinais de alarme. 

Na grande maioria dos casos, é mesmo “só uma gripe”. Mas quando os sintomas fogem ao padrão habitual, a frase deixa de ser inocente e o descanso pode não ser suficiente para resolver. 

A atenção aos sinais de alerta e aos grupos vulneráveis é um exercício de responsabilidade individual e coletiva, sobretudo num mês em que queremos celebrar, mas também proteger quem nos rodeia. 

Valéria Garcia

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