ARTIGO DE OPINIÃO: Postal de Natal

16/12/2022 18:30

Após a presença no Mundial de futebol, as discussões sobre a eutanásia e os recentes acontecimentos climáticos que foram preenchendo os nossos pensamentos, eis que chega o Natal. Não é que tenha chegado de repente, não. Na verdade, já me tinha apercebido dele em agosto. A competitividade das campanhas de marketing assim o obriga e quanto mais cedo nos formos habituando a ouvir falar deste ou daquele produto mais tendência teremos para o comprar. Por esse país fora multiplicam-se os festejos, promovem-se convívios e reencontros numa tentativa de recuperar o que não foi possível fazer nos últimos três anos. Por estes dias tentamos esquecer a inflação, o aumento das prestações, a subida de preços e lá vamos esticando o orçamento para os presentinhos que ainda vamos oferecendo. Os políticos desdobram-se em jantares de Natal com os mais desfavorecidos, distribuindo cabazes e sorrisos. Por esse país fora as “Vila-Natal” multiplicam-se, numa tentativa dos municípios atraírem turistas para reanimar a economia local. E lá vamos olhando para as luzinhas das ruas, cantarolando músicas de Natal, tentando não pensar muito no que o próximo ano nos vai trazer…

Gostando ou não do Natal, a verdade é que não passamos indiferentes a toda a simbologia associada a esta época, uma simbologia muito relacionada com a imaginação e com as nossas memórias. As minhas memórias nesta época fazem-me recuar à época em que era uma alegria quando recebíamos em casa postais de Natal na caixa do correio. Alguns eram magníficos! Uns tinham imagens de bolas e sinos coloridos e com brilhantes, outros traziam paisagens com casinhas acolhedoras e quentes, ladeadas por pinheiros cobertos de neve. A maioria das vezes nem ligava ao que lá estava escrito. O postal ultrapassava a sua principal função e adquiria uma importância de tesouro, como se fossem pequenos objetos artísticos que eu podia admirar sempre que quisesse porque os distribuía pelo pinheiro. 

Os tempos mudaram e trouxeram novas formas de desejar as boas festas. Tenho pena que as nossas crianças não conheçam a alegria que é receber uma carta ou um postal pelo correio, estou certa que lhes traria uma alegria que nunca mais esqueceriam. 

Boas Festas!

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