Comemorou-se no passado mês o “25 de novembro”, uma data que assinala a movimentação militar conduzida por partes das Forças Armadas Portuguesas, a 25 de novembro de 1975, cujo resultado levou ao fim do Processo Revolucionário em Curso (PREC) e a um processo de estabilização da democracia representativa em Portugal.
Para refletirmos sobre a importância desta data, Mário Soares escreveu num artigo de opinião publicado em 1 de dezembro de 2010 na revista Visão que” o 25 de novembro de 1975 é uma data tão importante, para a afirmação da democracia pluralista, pluripartidária e civilista que hoje temos, como a Revolução dos Cravos.”
No ano de 1975, a sociedade portuguesa encontrava-se bastante dividida existindo uma oposição clara entre aqueles que pretendiam prosseguir a revolução com o Movimento das Forças Armadas, e os que defendiam a realização de eleições partidárias.
A seguir às eleições de abril de 1975, as divergências entre os diferentes projetos políticos acentuaram-se, sendo que nos meses seguintes o país assistiria a uma série de episódios de violência por parte de grupos mais ou menos organizados da extrema-esquerda e da extrema-direita, e a ameaça de uma guerra civil era real.
A 12 de novembro de 1975, uma manifestação das forças de esquerda impede os deputados de saírem do parlamento durante dois dias, e na semana seguinte o governo entra em greve por falta de condições para exercer o seu mandato.
A 25 de novembro toda esta tensão chega ao limite, com sectores da esquerda radical a tentarem um golpe de estado, que acabou por ser frustrado pelos militares que se encontravam com o “Grupo dos Nove”, apoiados por um plano militar liderado por Ramalho Eanes.
O 25 de novembro representou a abertura do caminho para a normalização democrática, consubstanciada na aprovação de uma nova Constituição, a 2 de Abril de 1976, e na realização de eleições legislativas, a 25 de Abril, e a 27 de junho de eleições presidenciais. A partir do 25 de novembro de 1975 Portugal passou finalmente a ser reconhecido como uma democracia.
Passados quase 50 anos da data, a reflexão sobre a democracia e o pais, mais do que urgente, impõe-se.
A voz do cidadão é ignorada, a pobreza cresce e a apatia e resignação instalaram-se em definitivo.
Nos últimos 20 anos, a economia portuguesa estagnou, a taxa de crescimento económico foi inferior a 1%, a população envelheceu, os jovens emigraram, o país perdeu a sua força de trabalho, a vontade de lutar e a ilusão de querer mais e melhor para o hoje e principalmente para as gerações do amanhã.
A sociedade encontra-se capturada por um sistema fortemente dependente do estado, das suas “vontades” e “esmolas”.
A democracia em Portugal existe, mas está viva?
















