Nesta altura do ano, as crianças andam sempre doentes… Tosse, pingo no nariz, dor de garganta, febre…
Ao chegar o Inverno começam a surgir as doenças respiratórias como a nasofaringite (a comum “constipação”), gripe, crises de asma, bronquiolites e, mais raramente, pneumonias. Os principais agentes causadores destas infeções nas crianças são os vírus.
Porque aumentam no inverno?
As temperaturas mais baixas favorecem a disseminação dos vírus respiratórios, pelo que a incidência destas infeções aumenta, consideravelmente, nos meses frios do ano. Este ano assistiu-se a um aumento de infeções respiratórias e a uma antecipação do pico de incidência, provavelmente em relação com os períodos de confinamento dos anos anteriores, que resultou numa imunidade mais baixa das nossas crianças.
Como se transmite? E como prevenir?
Os espaços fechados e com pouca ventilação, assim como o aglomerado de pessoas (creches, infantários, escolas), facilitam a circulação dos vírus e o contágio. Assim sendo, devemos manter os ambientes bem ventilados e evitar aglomerados populacionais. O uso de máscara é também uma estratégia fundamental para a prevenção da transmissão dos vírus respiratórios, assim como a higienização das mãos com água e sabão.
Além destas medidas, a hidratação nessa época do ano, a alimentação adequada, a manutenção de atividades físicas regulares e o uso de roupas apropriadas para nos proteger do frio e evitar diferenças grandes de temperatura são também importantes para minimizar a ocorrência de infeções respiratórias.
Quais os sintomas?
É importante definirmos alguns conceitos quando falamos de infeções do trato respiratório.
– Constipação: infeção muito comum que afeta as vias aéreas superiores (o nariz, mas também a orofaringe e laringe); infeção ligeira, que se caracteriza por congestão e corrimento nasal, espirros, lacrimejo, dor de garganta, tosse e, eventualmente, febre baixa. Uma criança saudável pode constipar-se várias vezes num ano (6 a 8 vezes).
– Gripe: infeção viral mais grave que a constipação. Os sintomas incluem febre, tosse, perda de apetite, dor de garganta, cansaço, sensação de mal-estar, dores musculares e de cabeça. Pode ainda ocorrer náuseas, dor abdominal e diarreia.
– Bronquiolite: infeção viral que afeta os bronquíolos e manifesta-se por tosse, sibilância /pieira (“assobiar”) e dispneia ou falta de ar, podendo ser visíveis sinais de dificuldade respiratória (respiração ofegante, retração costal, adejo nasal). Ocorre em crianças com menos de 2 anos.
– Pneumonia: infeção mais rara em pediatria, causada por vírus (geralmente em crianças com menos de 5 anos) ou bactérias. Caracteriza-se pela presença de febre e sintomas respiratórios agudos, associados a infiltrados parenquimatosos na radiografia de tórax.
Quando levar a criança ao médico?
A maioria das situações descritas anteriormente é benigna e transitória, no entanto, os pais devem estar atentos a alguns sinais de alerta como febre alta, respiração ofegante, pieira, tosse persistente e falta de ar.
Como se faz o diagnóstico das infeções respiratórias?
O diagnóstico nas crianças geralmente não é difícil. Os dados da história clínica e do exame físico são suficientes, na maioria dos casos. Em situações particulares, a pesquisa de agentes infeciosos nas secreções respiratórias e a radiografia torácica podem ajudar.
E quais os tratamentos e recomendações médicas mais frequentes?
O descanso, uma boa hidratação, a higiene nasal e medicamentos para aliviar os sintomas são, geralmente, suficientes. O uso de medicamentos antivirais pode estar recomendado para algumas infeções, como a gripe, e os antibióticos podem ser necessários para as infeções bacterianas. Realço, os antibióticos são necessários para tratar as infeções bacterianas, não as virais! Uma banal gripe ou constipação não necessita de tratamento com antibiótico.
[Susana Nobre é pediatra no Hospital CUF Viseu e Hospital CUF Coimbra. Licenciada pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Susana Nobre fez formação pós-graduada em hepatologia e transplantação hepática pediátrica no King´s College Hospital, em Londres. É o elemento de referência na área da Hepatologia para os hospitais distritais da zona Centro e integra a equipa de Pediatria do Hospital Pediátrico de Coimbra. Para além da sua área de diferenciação em Hepatologia, também desenvolve atividade em pediatria de ambulatório e urgência pediátrica.]















