Finalmente chegou julho, para muitos um mês de férias, praia e tempo de aproveitar o sol. Aos poucos vamos esquecendo os dias frios e quebrando a rotina diária. Optamos por roupas leves e confortáveis, que vão revelando alguma pele mais frágil ou alguma gordurinha indesejada. Inevitavelmente vamos pensando que deveríamos ter feito alguma dieta e exercício físico, conformando-nos com o facto de agora já ser tarde.
Nestes dias em que o ritmo abranda, vamos passando os olhos pelas nossas redes sociais, procurando descontrair, rever amigos ou descobrir locais interessantes para visitar… e aos poucos, vamos constatando que os outros ficam sempre bem nas fotos… Alegres, esbeltos e saudáveis naqueles corpos fantásticos e dourados… e nós? parece que estamos sempre iguais: pálidos, com ar cansado, talvez mais velhos, e que nunca saímos de casa… Por muitas fotos que tiremos, filtros e grandes angulares, mesmo assim, parece que nunca está bem… Mas, eis que chega o dia de, também nós, irmos de férias! Depois de uma enorme indecisão e de uma criteriosa seleção, procurando a nossa melhor pose, captando o nosso melhor ângulo, esperando a altura do dia em que o sol nos dá uma luminosidade ideal que ofusca qualquer imperfeição, lá tiramos e publicamos uma foto nossa na rede social. No nosso perfil começam a surgir opiniões que, regra geral, nos enaltecem o ego e alegram um pouco mais estes nossos dias do mês de julho. Verdadeiras ou falsas? Nem pensamos muito nisso, pulicamos e pronto! Nós e o nosso corpo… branco, moreno, magro, gordo, esbelto, novo, velho, singelo…nosso.
Longe de mim pensar que este é um assunto simples… Na verdade a questão do corpo encerra demasiadas particularidades que vão para além destas minhas palavras. No entanto considero que a sociedade determina completamente a forma como vemos e como os outros vêm o nosso corpo.
Mas esta questão não é nova… Se efetuarmos um breve reflexão em termos artísticos sobre a representação do corpo ao longo dos séculos, verificamos que ela foi sempre muito condicionada pela sociedade. Se nas sociedades primitivas a representação do corpo estava associada a rituais relacionados com a caça e com a fertilidade, representações estilizadas e minimalistas do corpo, na Antiguidade Clássica a representação do corpo obedece a normas e cânones, ideias de beleza, que se tornam referência para estilos como o Renascimento ou como o Neo-clássico. Claro que, na época medieval, a representação do corpo, tanto na pintura como na escultura subordinaram-se à arquitetura, e a sua plástica, com pouco rigor anatómico, subjugou-se à temática religiosa e simbólica.
As mudanças do século XIX serviram de ignição ao que se viria a ser o Século XX. Um século que rompeu com o passado, em que a arte representou o corpo de forma inovadora, assumindo uma linguagem plástica e estética completamente diferente e individual, com muita relação com o conceito. Mas será que rompeu verdadeiramente com os condicionalismos impostos pela sociedade? Para além as características técnicas e formais e dos milénios entre elas, qual é a diferença entre as duas imagens que vos apresento?
Desejo a todos umas Boas Férias!


















