Portugal é hoje o 3.º país da União Europeia com a dívida pública mais elevada, representando 123% do valor do Produto Interno Bruto no 2.º semestre de 2022.
Em termos genéricos, para pagar a divida atual seria necessária toda riqueza produzida em Portugal durante um ano, e ainda cerca de um quarto do ano seguinte. Para saldar a “divida”, cada português teria de pagar um valor aproximado de 28 mil €. Em 2000 o valor necessário era de 6.700 €.
Na União Europeia apenas a Grécia e Itália têm uma dívida pública mais elevada que Portugal, com 182% e 150%, respetivamente. Estes valores são bastante superiores à média da União Europeia, que em 2021 registou 86%.
Em Portugal a dívida pública (avaliada em relação ao PIB), era em 2000 de apenas 56% e o país estava a meio da tabela (14.º), abaixo do valor médio europeu (69%).
As causas para o crescimento da dívida pública portuguesa são várias.
A recessão de 2008, que provocou a crise das dívidas soberanas, levando à queda da economia, e os empréstimos da Troika a Portugal, após o pedido de resgate internacional pedido pelo governo de José Sócrates, no valor total de 78 mil milhões € (47% do PIB).
Outro dos fatores, é a passagem da dívida de empresas públicas (Metro, CP, Carris) para o domínio do Tesouro, aumentando ainda mais a dívida publica portuguesa.
Nos últimos dois anos, a pandemia obrigou o Estado a endividar-se ainda mais para conseguir distribuir apoios económicos e sociais pelos indivíduos e empresas mais afetados pela pandemia.
Consequências desta divida?
Impostos elevados, falta de liquidez no estado e atraso no pagamento aos seus fornecedores e um mau exemplo para particulares e empresas.
Criou-se a ideia na sociedade portuguesa nas duas últimas décadas, que temos o direito a ter tudo, basta para isso recorrer ao crédito.
O mais grave?
Temos a nossa geração, a geração dos nossos filhos e mais grave ainda a geração dos nossos netos hipotecados.
Endividados não para investir, produzir e gerar riqueza para pagarmos o que devemos, mas para pagarmos erros de gestão e filosofias políticas.
















