ARTIGO DE OPINIÃO: Adolescentes portugueses mais infelizes

17/12/2022 18:30

Os adolescentes portugueses estão mais infelizes e são atualmente mais os que se sentem irritados, nervosos ou tristes diariamente. Esta é a conclusão de um grande estudo da Organização Mundial de Saúde sobre a adolescência, no qual Portugal participa na recolha de dados desde 1998. Em comparação com o último ano estudado em Portugal (2018), baixou a satisfação com a vida. O estudo contou com a participação de 51 países. Especificamente em Portugal, este estudo foi realizado pela equipa Aventura Social, do ISAMB/Universidade de Lisboa, em parceria com a Direção-Geral
da Saúde (DGS) e a Direção-Geral das Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC).

Tânia Gaspar, Psicóloga e coordenadora em Portugal da análise da OMS constata que “Em tantos anos de estudo, nunca assistimos a um agravamento tão generalizado dos indicadores como nos últimos quatro anos”. Os dados foram recolhidos em abril, através de inquéritos a 5809 alunos portugueses do 6.º, 8.º e 10.º anos.

“Nestas idades, o impacto que tem no desenvolvimento ainda é maior. É como se eles estivessem sempre a crescer e, se se estão a desenvolver com estas dificuldades, isto vai ter um efeito “bola de neve” e vai acabar por afetar as suas oportunidades. O quanto antes é importante dar uma resposta”, explicou também Tânia Gaspar e acrescentou que “É fundamental haver uma melhor articulação entre a escola e os serviços de saúde para, de um modo geral, para todos, trabalhar ao nível da prevenção, e
naqueles jovens que efetivamente precisam de apoio mais especifico, dar uma resposta rápida”.

Os jovens inquiridos contaram que, no último mês, tomaram pelo menos uma vez medicação para a tristeza (10%), para o défice de atenção/hiperatividade (7,4%) e para o nervosismo (16%). Mais de metade (53,9%) disse ter tomado pelo menos uma vez no último mês medicamentos para a dor de cabeça.

Há 17,9% que referem dificuldades em adormecer todos os dias, 22,8% refere que quando tem uma preocupação intensa esta “não o larga” e “não o deixa ter calma para pensar em mais nada” e mais de um em cada quatro (25,1%) sentem que as suas dificuldades se acumulam de tal modo que não as conseguem ultrapassar.

Ainda que a maioria dos adolescentes relate que dorme bem, mais de três em cada quatro (84,6%) dizem que lhes custa acordar de manhã e mais de metade refere falta de qualidade do sono (dificuldades em adormecer, dormir demais, acordar cedo demais e acordar a meio da noite). Quase metade (46,2%) dorme menos de oito horas/dia e, ao fim de semana, há uma compensação pois é nessa altura que mais de metade (55,8%) diz dormir mais do que as oito horas.

Existiram ainda 14,6% que disseram ter tomado, no último mês, pelo menos uma vez medicação para a dificuldade de adormecer.

Quanto aos sintomas psicológicos, 21% (13,6% em 2018) disseram sentir nervosismo quase todos os dias, 15,8% mau humor ou irritação quase todos os dias, 11,6% tristeza quase diariamente e 9,1% medo.

Os comportamentos autolesivos também aumentaram, passando de 19,6% para 24,6%. Dos jovens que referem já se terem magoado de propósito, o braço continua a ser o local do corpo onde mais de magoam.

Segundo os dados recolhidos, os sintomas físicos também aumentaram: 12,2% dos estudantes disseram ter dores nas costas quase todos os dias (8,6% e 2018) e 8% têm dores de cabeça quase diariamente.

Quanto aos sintomas psicológicos, 21% (13,6% em 2018) disseram sentir nervosismo quase todos os dias, 15,8% mau humor ou irritação quase todos os dias, 11,6% tristeza quase diariamente e 9,1% medo.

Podemos então concluir que é visível o agravamento global ao nível da saúde e do bem-estar dos adolescentes portugueses, parecendo importante ressalvar o aumento do número de jovens que, além de doença crónica, têm doença relacionada com o foro psicológico.

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