Entre os dias 29 de agosto e 6 de setembro, a Mata do Serrado, em Viseu, recebe a primeira edição do Jardim das Artes e das Letras (JAL), uma iniciativa gratuita com mais de cem atividades diárias, treze propostas permanentes, concertos, cinema ao ar livre, conversas, oficinas e programação para famílias. programa completo está disponível em https://jardimdasarteseletras.pt/
O JAL é uma iniciativa da Pausa Possível, em parceria com a Câmara Municipal de Viseu, e resulta de uma candidatura aprovada pela Direção-Geral das Artes.
«O Jardim das Artes e das Letras nasceu da vontade de contrariar a velocidade digital e a dependência tecnológica, criando momentos de fruição partilhada, onde possamos ouvir os pássaros, sentir o verde e o ar da natureza no centro da cidade. A Mata do Serrado é o lugar ideal para desacelerar, para promover empatia, sociabilidade e pensamento através das artes», esclareceu Sandra Oliveira, diretora artística do JAL, durante a sessão de apresentação, que decorreu a 13 de agosto.
A sessão foi aberta pela vereadora da Cultura do Município de Viseu, Leonor Barata, que começou por contextualizar a importância do espaço escolhido: «Esta mata é um local extraordinário dentro da nossa cidade, não só pela sua centralidade, que representa uma mais-valia para quem está no centro e quer passear, mas também pela sua beleza, pelas suas qualidades e características naturais, que a tornam um pulmão da nossa cidade. Mais do que isso, tornam-na num sítio quase encantatório, porque de repente, quando entramos aqui dentro, ficamos abrigados do tecido urbano».
Recordando que a Câmara Municipal assumiu a gestão da Mata do Serrado em 2023, a autarca sublinhou que «foi possível devolver o espaço aos cidadãos e às famílias, permitindo que a comunidade o usufrua de forma plena».
Sobre a génese do evento, acrescentou que “quando fomos desafiados pela Pausa Possível para que esta criasse, um programa que ativasse este espaço através da arte e da literatura, e destinado a famílias, não hesitámos em apoiar a candidatura que esta entidade fez à Dgartes. Os programas têm de nascer para os espaços e não ser projetos que aterram sem ligação ao lugar. Este nasceu daqui, da mata, e para a mata”.
A programação parte de dois livros: Tisanas, de Ana Hatherly, e Toranja, de Yoko Ono. “São duas autoras que, de formas diferentes, foram subestimadas no seu tempo. Ambos os livros propõem textos curtos, abertos à interpretação e à imaginação individual. A partir deles, pensámos um programa que combina pensamento, arte e conhecimento, convidando o público a viver a arte no quotidiano”.
Um dos eixos centrais é a Feira do Livro, que terá 10 estruturas criadas pela organização e reunirá editoras e livrarias de diferentes regiões, com destaque para a venda de livros em segunda mão e a preços reduzidos.
A Pausa Possível convidou para a co-curadoria, o artista plástico Lucas F. Oliveira, e ativista Maria Inês Demétrio, que explicou que «a seleção foi feita a partir da ideia de livro, arte e conhecimento. Mantivemos a feira numa escala reduzida para garantir qualidade e ligação entre expositores e público. Queremos que a feira seja também um lugar de encontro e de conversa, com programação associada que vai além da literatura, envolvendo outras áreas de pensamento e criação artística.»
Durante os 9 dias, o público poderá usufruir de 13 propostas permanentes:
– Sonhos à Mesa – mesa de ardósia com poemas e gizes para escrita e desenho;
– Canto Poético – espaço para leitura e expressão espontânea;
Zona de Piquenique – com mantas disponibilizadas pela organização;
– Equipamento Lúdico Infantil – esculturas em madeira natural de animais da mata e lupas de grande escala;
– Árvore das Notícias – instalação com jornais nacionais e internacionais, incluindo edições históricas;
– Casa na Árvore – mini biblioteca com secções dedicadas a poesia, arte contemporânea e literatura infantil;
– Tisanas com Toranjas – percurso performativo criado por Patrícia Portela, inspirado nos livros de Ana Hatherly e Yoko Ono;
– Des.des.construir – instalação de Lucas F. Oliveira, inspirada numa performance de Ana Hatherly; (entre outras cinco propostas permanentes que incluem instalações e espaços de descanso e fruição).
O JAL contará com sessões de cinema ao ar livre, concertos, performances, conversas, percursos guiados, yoga e oficinas.
No ciclo Cordas Sem Amarras atuam 4 dos melhores guitarristas portugueses da actualidade: Tó Trips, Norberto Lobo, Lula Pena e Filho da Mãe. O programa musical inclui ainda concertos de Rafael Toral e Ece Canli.
A programação de cinema resulta de parceria com a Tate que irá exibir filmes curtos de animação sobre movimentos, artísticos, expressões artísticas e percurso de artistas internacionais como Yoko Ono, W. Turner, Paula rego entre muitos outros.
Da parceria de programação com o o Cine Clube de Viseu, serão exibindo títulos cWhy Are We Creative?, O Espírito da Colmeia e Poesia.
As oficinas foram criadas para serem fruídas pelas crianças e em família, mas também especializadas, como a “oficina de engenharia de papel” com o italiano Carlo Giovanni, e propostas como “Monstros na Árvore”, “Insetos Nossos” e “Boca da Floresta”.
O evento é cofinanciado pela Direção-Geral das Artes e pela e Câmara Municipal de Viseu. Entre os parceiros encontram-se o Plano Nacional das Artes, APECV, Tate, Queen’s University, Cine Clube de Viseu, Fundação millenniumbcp, Umbigo Contemporânea, Politécnico de Viseu, Freguesia de Viseu e meios de comunicação como o Jornal do Centro, Diário de Viseu e Celeuma e o grito e o cochicho (media).
















