Tondela: ACERT dinamiza conversa sobre cerâmica integrada no projeto “Memória do Barro”

26/09/2025 13:01

“Um olhar no feminino sobre o futuro da cerâmica” é uma conversa informal com Céu Pedrosa, Inês Salgado e Tânia Ló, e moderação de Sara Figueiredo Costa, no próximo sábado, dia 27 de setembro, pelas 16h00.

Três mulheres ceramistas/oleiras, de diferentes gerações e percursos de vida distintos, partilharão as suas vivências, experiências e a forma como olham para o futuro desta arte/profissão.

Molelos, no concelho de Tondela, é um dos poucos locais onde a cerâmica preta continua a existir e que foi capaz de se reinventar ao longo dos tempos, tendo passado a integrar, desde março de 2025, o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

Esta conversa integra as atividades paralelas do projeto de criação artística “Memória do Barro” do Trigo Limpo teatro ACERT, um trabalho em torno do barro e das mulheres, inspirado na louça preta característica deste território beirão e que estreia na ACERT a 5 de dezembro.

Biografias

Céu Pedrosa

Mestre oleira da Bajouca, descobriu a paixão pelo barro ainda em criança, no seio de uma família onde a olaria fazia parte do dia a dia. Cresceu rodeada por esta arte e, desde cedo, percebeu que moldar o barro era mais do que um ofício — era uma forma de se expressar, de contar histórias e de preservar as memórias da sua terra. Ao longo dos anos, foi desenvolvendo um saber-fazer próprio, marcado pela dedicação, pela precisão técnica e por uma profunda ligação emocional àquilo que cria: “Cada peça que sai das minhas mãos transporta a alma da Bajouca, refletindo a tradição, os valores e o quotidiano das nossas gentes. Através do barro, uno passado e presente num gesto contínuo de respeito e valorização cultural.” Mais do que produzir cerâmica, vê o seu trabalho como uma missão: manter viva uma herança coletiva, inspirar novas gerações e mostrar ao mundo a riqueza da olaria tradicional portuguesa. É com orgulho que continua a dar forma à identidade da sua terra, contribuindo ativamente para que a arte oleira da Bajouca não se perca — mas ganhe novo fôlego e reconhecimento.

Inês Salgado

Inês Diana Salgado inicia a sua formação em cerâmica em 1985, na Escola Secundária e Artística de António Arroio, onde frequenta o Curso de Arte e Design Cerâmico, seguido de uma especialização em Olaria no CENCAL, em 1990. Em 1994 abre o seu primeiro atelier, onde começa a produzir peças para vender em diversas lojas e feiras de artesanato nacionais e internacionais. Ao longo dos anos, investe muito tempo na sua formação profissional, frequentando cursos e workshops que lhe permitem ganhar competências num vasto leque de técnicas cerâmicas que integra posteriormente no seu trabalho enquanto ceramista e formadora. Assim, e desde 1989, é responsável por dezenas de ações de formação, em diversas instituições das quais se destacam o Cencal, o Cearte, e a Escola António Arroio. Há 10 anos, reformula o projeto do seu atelier e nasce a Olaria Lisboa. Um espaço que é agora maioritariamente dedicado ao ensino de várias técnicas cerâmicas, e especializado no ensino da Olaria. Neste momento, é onde passa a maior parte do seu tempo, mas ainda colabora pontualmente em outros projetos e ações de formação.

Tânia Ló

Tânia Ló Ferreira, cresceu em Vila Real e actualmente dedica-se à Olaria/ Cerâmica, com foco na olaria negra de Bisalhães. Formação inicial em Design e Marketing de Moda,pela Universidade do Minho, o que permitiu a exploração de várias áreas desde o têxtil (tecelagem e bordados) , à ilustração ( criação de padrões) e finalmente a Olaria. Em 2023, concluiu o Curso Técnico em Olaria, centrado na olaria negra, com o intuito de reavivar e reinventar esta arte ancestral. Desde então, explora a olaria tradicional de Bisalhães sob uma nova perspectiva, combinando formas contemporâneas e materiais diversos, numa fusão entre tradição e inovação.

Sara Figueiredo Costa

Estudou Línguas e Literaturas Modernas – Estudos Portugueses e linguística na Universidade Nova de Lisboa. Escreve na imprensa desde 2002, primeiro como crítica literária, depois também como jornalista. Actualmente, escreve para o Expresso e a revista digital Blimunda . Edita o suplemento literário Parágrafo, do jornal Ponto Final, de Macau, onde passa algumas temporadas. Tem colaboração dispersa noutras publicações. Publicou alguns livros, entre eles Tondela – Caderno de Viagens (Afrontamento/CMT) e Ignição/Recomeço (ACERT), uma reportagem desenhada sobre a Lajeosa do Dão e o impacto dos incêndios de 2017, ambos em co-autoria com o ilustrador Zé Tavares. Mensalmente, dá voz e estrutura editorial ao podcast Rádio Relâmpago, da Associação Desportiva e Recreativa “O Relâmpago”. Vai fazendo outras coisas, dentro e fora do jornalismo, de curadoria de exposições a livros, passando pelas aulas que de vez em quando lecciona ou por leituras comunitárias.

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