A Associação de Defesa do Vale do Paiva, S.O.S. Rio Paiva, lançou o alerta para a falta de água, em cerca de 15km do rio Paiva, com particular incidência na zona do Alto Paiva, no troço inicial do rio entre os municípios de Moimenta da Beira (onde o rio nasce) e Vila Nova de Paiva.
«O rio está totalmente seco na nascente e ao longo de vários quilómetros até à praia de Segões, onde um açude garante a existência de alguma água que se apresenta bastante degradada sem condições para a prática balnear. A jusante deste local a água é muito escassa, com vários troços totalmente secos», refere a Associação em comunicado.
O organismo chama, ainda, a atenção para as descargas poluentes oriundas das pedreiras e da ETAR de Vila Nova de Paiva.
«Além das pedreiras que continuam a poluir o Rio Paiva na zona do alto Paiva (…) persistem outros problemas e focos de poluição neste rio que já foi considerado um dos mais limpos da Europa e que é protegido a nível europeu como Zona Especial de Conservação da Rede Natura 2000. A situação é de verdadeira catástrofe ambiental, mas para agravar ainda mais o estado do rio, o município de Vila Nova de Paiva continua a efetuar descargas poluentes diretamente no pouco caudal que resta do rio, agravando ainda mais os problemas de poluição e de seca extrema. Há 12 anos que esta associação apresenta denúncias relacionadas com a poluição da ETAR de Vila Nova de Paiva e, passados estes anos, o problema continua exatamente igual, com descargas de efluente sem tratamento no leito do Paiva. A denúncia foi efetuada ao Serviço de Proteção Ambiental da GNR e à Agência Portuguesa do Ambiente para que atuem com máxima urgência na resolução deste grave problema, bem como para a situação de catástrofe natural relacionada com a seca extrema».
A associação entende que é ainda «urgente que o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) avalie os impactos deste fenómeno na biodiversidade e conservação da fauna e flora do rio Paiva, uma vez que compete a esta entidade garantir a conservação desta área protegida».
A S.O.S. Rio Paiva termina nota de imprensa apontando que «os graves problemas no Alto Paiva estão a refletir-se a jusante, nomeadamente em Arouca, Cinfães e Castelo de Paiva onde o rio se apresenta com uma cor esverdeada e maus cheiros, que resultam, muito provavelmente, da escassez de água, temperatura elevada e da concentração de nutrientes orgânicos e inorgânicos vindos de fontes poluentes.»
Ao portal Viseu Now, Paulo Marques, Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Paiva, refere que não foi «confrontado com quaisquer evidências, pois em nenhum momento esta Associação contactou a Câmara Municipal, o que se lamenta».
Relativamente à denúncia, o autarca diz: «não significa nada, aliás, gostava de saber o resultado das denúncias anteriores. Houve condenações? Contraordenações? O que esta Associação exige, ou não, não temos conhecimento e não creio que, com a inexistência de comunicação institucional, tenham qualquer legitimidade para exigir o que quer que seja. Já a Câmara Municipal de Vila Nova de Paiva e o seu Presidente exigem respeito. Dizer que tentamos esconder um problema e que houve descargas poluentes sem tratamento, sem a mínima prova bacteriológica, é apenas ser populista e querer aparecer nas notícias. Apenas dar prova de vida da associação. Aguardaremos serenamente os resultados das análises.»
Quanto às reiteradas denúncias, que se arrastam há mais de uma década, Paulo Marques aponta que «é muito curioso que seja há 12 anos que o fazem pois, com certeza, a SOS Rio Paiva estava, está e estará ao serviço não do Rio Paiva, mas, sim, de algumas posições políticas, a quem os resultados eleitorais correram mal.»















