A “Nova Música” – temporada de 5 novas obras em 5 concertos, um projeto protagonizado pela Orquestra Portuguesa de Guitarras e Bandolins – OPGB, ao longo de vários meses de 2025, em vários palcos nacionais, vai culminar no Cine-Teatro de Estarreja, no próximo sábado, dia 20 de setembro, com um espetáculo marcado para as 21h30. O bilhete tem um custo de 3 euros.
No âmbito do referido projeto, a OPGB interpretou obras originais que encomendou a cinco diferentes compositores portugueses. A última abordagem musical, neste domínio, pertence ao compositor José Carlos Sousa.
Sobre a obra “Milodnab et Sarratiug”, o autor esclarece que “As melodias e os motivos musicais circulam e refletem-se como num espelho: do palco para a plateia, da frente para trás, numa construção polifónica de camadas e texturas que se entrelaçam – às vezes de forma subtil, outras vezes com grande densidade”.
«O título da obra resulta da invenção gráfica de duas palavras que, lidas ao contrário, revelam parte da identidade sonora e conceptual da peça: Bandolim e Guitarras”, salienta.
O músico, que também um dia elegeu o bandolim como instrumento, daí o facto de ter sentido uma emoção especial por este desafio de ‘conceber as notas’ para esta obra, pratica hoje a sua atividade profissional no domínio da criação musical mais afeta à eletrónica e à eletroacústica e é precisamente na ilusão, na semelhança com este último registo citado, que José Carlos Sousa apostou em termos de conceção: «[a peça…] foi concebida como se de uma obra eletroacústica se tratasse». A explicação complementa-se na ideia de que «O espaço é aqui um elemento composicional fundamental. Ao longo da peça, os músicos dispõem-se em diversas formações que circundam o público, criando experiências auditivas imersivas e não convencionais.”»Desta forma verifica-se uma rutura com os cânones tradicionais, pois com este modelo a habitual relação palco-plateia é quebrada; os sons deslocam-se, aproximam-se, afastam-se, ecoam entre si. A obra é dedicada à memória do músico professor Jorge Abel.
O coletivo de músicos em palco será dirigido pelo maestro titular da Orquestra de Guitarras e Bandolins, Hélder Magalhães, também diretor musical e intérprete de trompete.
José Carlos Almeida de Sousa nasceu em Viseu, em 1972. Iniciou os seus estudos musicais no Conservatório Regional de Música Dr. José de Azeredo Perdigão, onde concluiu o curso geral de composição em 1995. Licenciado em composição pela Universidade de Aveiro, foi o criador do Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu, que organiza desde 2008 exercendo também o cargo de Diretor Artístico do Festival. Em abril de 2022 foi realizada a estreia mundial da sua obra para Orquestra “As 7 Trombetas e a Nova Jerusalém”, encomenda conjuntas da Miso Music Portugal e do Festival Internacional de Música da Primavera de Viseu. Atualmente é professor de composição no Conservatório de Música de Viseu, exercendo também o cargo de Diretor Pedagógico do Conservatório desde 2004.
A OPGBAC – Associação Cultural de Plectro, nasceu dia 18 de Novembro de 2010, tendo adotado a sigla OPGBAC. É um projeto que tem como objetivo a dinamização e difusão da música de plectro no panorama musical nacional. Desde 2015 sediada em Gondomar, no Centro Cultural Amália Rodrigues, Rio Tinto, a OPGBAC tem como principal valência a Orquestra Portuguesa de Guitarras e Bandolins (OPGB). Ultimamente surgiram, no entanto, mais projetos, como uma escola de música que se focaliza no ensino dos instrumentos de corda beliscada; os estágios internacionais, que trazem maestros e professores reconhecidos a Portugal; e, mais recentemente, o Festival Internacional de Música de Plectro.















