Mangualde: Discórdia em celebração religiosa e insultos racistas levaram a renúncia do padre em Freixiosa

28/04/2023 18:34

Os desentendimentos entre o pároco António José Clementino e populares terão ocorrido no passada terça-feira, dia 25, durante as celebrações religiosas em honra de São Marcos, na localidade de Freixiosa, concelho de Mangualde. Discórdias em torno do andor do santo atingiram proporções inusitadas, que terão culminado com agressões verbais de pendor racista direcionadas ao sacerdote.

Em comunicado, na página de Facebook da Paróquia de Santa Luzia – Freixiosa, pode ler-se:

«AOS FIÉIS DA PARÓQUIA DE FREIXIOSA E A QUEM INTERESSAR

Depois dos últimos acontecimentos públicos, sofridos por mim na lgreja de Freixiosa, e enquadrado no Direito Civil, Artigo 240.o Discriminação racial; em defesa de minha honra e dignidade, tenho o dever de vos informar que, tal como anunciei ao fim da missa do último dia 25 (São Marcos), apresentei ao Sr. Bispo a renúncia de ofício eclesiástico com Pároco da mesma comunidade de Freixiosa, amparado pelas normas do direito canónico nos cânones 187, 1372 (1336) e pelas diretrizes do Concílio Vaticano II, Decreto Nostra Aetate; e Carta Encíclica Pacem In Terris). Dada a gravidade do ocorrido, o meu pedido foi aceite pelo Ordinário Diocesano, Sr. Bispo, tendo efeito imediato. A partir de então, já não tenho mais obrigações religiosas na referida Paróquia de Freixiosa, ficando sem efeito a agenda de atividades: missas nos dias feriais, vespertinas ou no próprio dia de domingo, publicadas por mim ou qualquer outro sacramento agendado comigo anterior a este fato. Em comunhão e solidariedade comigo, e por me ter sido pedido, informo-vos ainda que Revmo. Pe. João Martins Marques, até então, Vigário Paroquial da referida comunidade, apresentou pedido de Exoneração desta função nesta supracitada Paroquia, que foi igualmente aceite pelo Ordinário Diocesesano, com igual efeito detemporalidade. Outros encaminhamentos serão tratados pela diocese dentro dos termos da lei canónica.»

Filipe Pinto, presidente da Junta de Freguesia, confessou que foi «apanhado de surpresa» com o sucedido e com a consequente renúncia de funções por parte do pároco. «Houve uma extrapolação da própria discussão, digamos assim, e, ao que parece, chegou-se a vias de facto de haver alguma agressão verbal para com o senhor padre, algum ataque pessoal relativamente à sua cor de pele.»

Apesar de ainda haver contornos por esclarecer, para o presidente, tratou-se de «uma situação esporádica, mas que ultrapassou algumas barreiras que não devia ter ultrapassado».

«O que me têm transmitido é que, até certo ponto, inicialmente, a população era capaz de ter razão, devido à exigência do padre relativamente ao andor, no entanto, o que toda a gente refere é que, havendo razão, essa perdeu-se, no momento em que seguiram para o ataque pessoal.»

Também o padre João Marques, que auxiliava António Clementino nas ausências, apresentou, em solidariedade, renuncia de funções na mesma paróquia.

Contactados pelo Viseu Now, tanto o padre António Clementino como a Diocese de Viseu não se encontravam disponíveis para prestar declarações.

Fotos: Paróquia Santa Luzia – Freixiosa

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