Podem ler-se na nota informativa, destinada à Assembleia Municipal pelo presidente da Câmara Municipal de Viseu, Fernando Ruas, as principais preocupações relativas à região. O autarca, que começa por manifestar a intenção de pedir contas a este novo Governo, apela à iniciação do processo de regionalização.
«Tenho a convicção que a coesão territorial necessita urgentemente de um processo de regionalização em que as regiões se imponham», afirma Fernando Ruas. «Tenho, ainda mais esta convicção por força dos resultados a que chegámos sem a regionalização. Temos, cada vez mais, um país assimétrico. Um país de corpo raquítico mas com uma cabeça (região) bem desenvolvida. Um país em que só uma região está acima da média nacional no ‘ganho médio mensal’ e no ‘rendimento bruto declarado por habitante’, muito por força da concentração de investimento público», avança.
O presidente menciona os 48 milhões de euros que são dedicados ao apoio à aquisição de veículos limpos para o transporte coletivo de passageiros mediante procedimento de concurso competitivo, nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto: «Este é o pequeno exemplo de uma imensidão de apoios que são alocados diretamente às regiões mais ricas deste país», é dito.
Fernando Ruas recorda, ainda, que durante a última Assembleia já tinha referido que na área dos transportes, Lisboa e Porto ficam com cerca de 94% e o restante território do país com os restantes 6%. «Não nos fica bem enquanto país exigir junto do Parlamento Europeu mais apoios para as regiões periféricas e depois, num território tão pequeno como o nosso, não zelar pela justa distribuição da riqueza e pelo fomento da coesão territorial».
«E, é com este mote, que dou nota da reunião que mantive, enquanto presidente da Comunidade Intermunicipal de Viseu Dão Lafões, com as infraestruturas de Portugal. Uma reunião onde pudemos aferir do estado e dos constrangimentos que o projeto da duplicação do IP3 tem tido», sendo manifestada a intenção de se avançar com «uma autoestrada a ligar estas duas importantes capitais de distrito».
Enquanto presidente do Conselho Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal de Viseu Dão Lafões, Fernando Ruas reuniu com os presidentes das CIM do ‘Douro’ e da ‘Beiras e Serra da Estrela’, de forma a serem discutidos os temas de abrangência regional, onde foi decido um conjunto de prioridades para a região.
«Uma das prioridades da região é, sem dúvida, o abastecimento de água à região e a necessidade que temos de objetivar e concretizar um projeto agregador. A construção de uma nova barragem é uma das competências a que o Estado tem que dar seguimento».
«Ainda a propósito da água, e porque atravessamos no início de fevereiro um período de seca e, embora a albufeira de Fagilde, que abastece cerca de 80% da população de Viseu, se encontrasse com a capacidade máxima de armazenamento de água, subimos as ensecadeiras (estruturas de contenção) para aumentar o armazenamento de água em mais 35%», pode ler-se.
O presidente do município afirma que se apelou ao dever cívico e ambiental de todos para a poupança no consumo de água e à eliminação de todos os gastos que não essenciais, de forma a evitar todo o tipo de desperdícios. «Fomos dos primeiros a tomar medidas efetivas porque temos plena consciência da importância deste tema para a região».
Os processos da Ação Social, da Saúde e da Educação foram, também, mencionados: «Por serem matérias de maior exposição social devem ser acompanhados das verbas necessárias e dos recursos adequados».
«Assinalo a entrega das comparticipações dos programas municipais VISEU HABITA e VISEU SOLIDÁRIO. Assinalo-a, para recordar que em boa hora iniciámos em 2003 um programa municipal que denominámos PROHABIT. Um programa municipal que apoia a reabilitação dos imóveis de agregados familiares carenciados do concelho. O VISEU SOLIDÁRIO, criado em 2009, é um complemento que presta apoio suplementar a famílias que apresentem elevada carência económica. Em 2021, o município de Viseu atribuiu mais de 200 mil euros de apoio aos munícipes através do VISEU HABITA. Complementarmente, dedicou cerca de 65 mil euros aos beneficiários do VISEU SOLIDÁRIO».
Já a respeito da pandemia, foi mencionada a disponibilização de espaço público e a adesão de operadores da área, que permitiram a execução de mais de 73 000 testes (nesses quatro centros de testagem) até aos primeiros dias do mês de fevereiro.
«O efeito das vacinas e das defesas que fomos criando como comunidade têm, aparentemente, diminuído de sobremaneira a letalidade e a pressão junto dos hospitais (quando comparado com os dados pré-vacinação). Mantemos, para já, ativo o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil na área territorial do concelho».
















