O antigo edifício do Orfeão de Viseu já começou a ser intervencionado e consiste numa remodelação, reabilitação e ampliação deste um património histórico. O investimento do Município de Viseu é superior a 1,2 milhões de euros e tem prazo de execução de 18 meses, e permitirá devolver o edifício aos viseenses e instalar um nova âncora para a revitalização do Centro Histórico.
Esta intervenção estruturante irá seguir todos os princípios da reabilitação sustentável, com respeito pela identidade, memória e traça original do edifício, mantendo elementos distintivos como a cobertura, o conjunto de azulejos, as escadarias, os tetos, o lanternim e os salões. Contempla o reforço estrutural do desvão e estrutura da cobertura, incluindo a substituição do seu revestimento, aplicação de todas as infraestruturas necessárias ao seu funcionamento, ampliação com um novo corpo (na sua parte posterior) e arranjo geral do logradouro.
O objetivo da autarquia viseense é vocacionar este equipamento para atividades pedagógicas no âmbito do programa VISEU EDUCA. Este projeto será essencialmente desenvolvido na área de ampliação posterior, onde funcionará a “Universidade Sénior de Rotary Club de Viseu”, bem como o apoio pedagógico a jovens de famílias carenciadas, com o intuito de proporcionar condições mais favoráveis ao seu sucesso escolar. Paralelamente, o Município quer recuperar a atividade cultural inerente ao uso dos salões existentes (e que serão reabilitados com a preservação das suas características originais).
“Esta é uma obra há muito desejada pelo significado que tem para todos os viseenses. Vamos devolver à comunidade aquele que é um dos edifícios mais emblemáticos do Centro Histórico e um exemplar inigualável do nosso património histórico e arquitetónico”, considera Conceição Azevedo, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Viseu.
“A obra no edifício antigo do Orfeão é mais um marco na estratégia de revitalização do centro da cidade, levada a cabo pelo Município e pela VISEU NOVO SRU desde 2014, através da criação de novas âncoras no coração da cidade”, acrescenta a autarca.
A decisão do Município de Viseu de avançar com uma obra de grande envergadura no local motivou, desde o início, a realização de sondagens de diagnóstico arquitetónico e sondagens arqueológicas de diagnóstico de cota negativa, devidamente aprovadas pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC). O decorrer dos trabalhos permitiu identificar e preservar vestígios de casas dos inícios do séc. XX, para além de uma lápide com inscrição romana. A obra continuará a ser acompanhada por uma equipa de arqueólogos e pela DGPC.
Recorde-se que a origem do edifício do antigo Orfeão de Viseu encontra-se intimamente ligada à Sociedade de Recreio Protetora do Montepio Viseense. “Até ao presente, não podemos afirmar uma data precisa para a construção do imóvel, sito na Rua Direita. Contudo, as referências documentais indicam que a Associação do Montepio Viseense já se encontrava instalada na Rua Direita, em 1901 (…). Em 1912, o Montepio Viseense pretende enobrecer o imóvel e, para tal, decidiu solicitar ao município a autorização para proceder à substituição da cal que revestia a fachada para se colocarem os azulejos que hoje em dia resistem”, explica a equipa de arqueólogos responsável pelo acompanhamento da obra.















