ARTIGO DE OPINIÃO: Stress e problemas de Saúde Psicológica custam 5,3 milhões às empresas em Portugal

18/02/2023 18:30

Foi este o título da newsletter da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) do dia 3 de fevereiro.

Nos últimos tempos, os desafios colocados pela pandemia covid-19 e a crise socioeconómica pela qualestamos a passar, têm provocado mudanças no mundo do trabalho que agravaram riscos psicossociais com um forte impacto na Saúde Física e Psicológica, o que tem colocado em evidência a relevância da Saúde e do bem-estar dos trabalhadores e organizações. 

Não só os riscos psicossociais e a falta de saúde mental no trabalho têm um custo humano gigante como também um impacto imenso na sociedade e na economia, segundo o mesmo relatório da OPP.

A Organização Mundial de Saúde define a SaúdePsicológica como o estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stresse normal da vida, pode trabalhar de forma produtiva e frutífera e pode contribuir para a comunidade em que se insere” (OMS, 2022). 

Desta forma, a Opp considera que promover a SaúdePsicológica e o bem-estar é assegurar condições base para o trabalho, é garantir que as pessoas estão integradas nos seus locais de trabalhos e na sociedade, e se sentem cooperantes, produtivas e realizadas. E, por isso, também a Direcção Geral da Saúde (2021), considera a SaúdePsicológica e o bem-estar como um dos melhores investimentos para as organizações que se queiram manter sustentáveis, produtivas e competitivas. 

Assim sendo, os riscos psicossociais constituem-se como um dos maiores riscos para a saúde física e psicológica dos trabalhadores, com consequências para o bom funcionamento das organizações públicas e privadas.

Face a esta realidade, foram sendo realizados alguns estudos sobre o custo económico dos riscos psicossociais e dos problemas de Saúde Psicológica. No relatório de custo do Stresse e dos Problemas de Saúde Psicológica no trabalho, é referido que a EU-OSHA (2014) reportou que o custo total dos problemas de Saúde Psicológica na Europa correspondia a 240 mil milhões de euros por ano, sendo que, destes, 136 mil milhões de euros por ano se deviam aos custos da redução da produtividade (incluindo o absentismo). Mais recentemente, Farmer e Stevenson (2017) estimaram que os problemas de Saúde Psicológicarepresentavam um custo anual para os empregadores que variava entre €37.3 mil milhões e €47.4 mil milhões. O custo para o Estado variava entre €27.1 mil milhões e €30.5 mil milhões. O custo da falta de Saúde Psicológicapara a economia como um todo era estimado como sendo superior à soma destes e variava entre €83.6 mil milhões e €111.8 mil milhões por ano.

Os custos diretos parecem representar apenas 30% do total de custos associados à falta de Saúde Psicológica dos trabalhadores e das trabalhadoras, enquanto os custos indirectos representam 70% (Loeppke et al., 2009). Sendo que, um dos principais custos indirectos dos problemas de saúde psicológica é o da perda de produtividade, devida ao absentismo laboral ou ao presentismo (MHPG, 2012). 

Neste sentido, avaliar, prevenir e intervir nos riscos psicossociais, bem como implementar medidas de promoção da Saúde Psicológica e do bem-estar em contexto laboral, são estratégias basilares na construção de locais de trabalho saudáveis e sustentáveis. 

Contudo, a adesão e implementação das políticas e estratégias de prevenção dos riscos psicossociais continua a ser escassa (Hassard et al., 2021). Portugal tem legislação nacional em referência aos riscos psicossociais, mas, tal como noutros países europeus, poucas são as empresas que informam os/as trabalhadores/as sobre riscos psicossociais, sendo que o número de empresas que implementam programas de prevenção é ainda menor(Jainet al., 2022). 

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