O Banco de Portugal apresentou na semana transacta os dados relativos à evolução dos salários em Portugal.
Os dados apresentados mostram que o salário mínimo representa actualmente 91% do salário mediano.
O salário mediano é o valor que divide uma distribuição de salários ao meio: metade dos trabalhadores ganha abaixo dele e a outra metade ganha acima. É diferente do salário médio, que soma todos os salários e divide pelo número de pessoas. Num exemplo rápido, consideramos 5 salários: 800 €, 900 €, 1.000 €, 1.200 € e 8.000 €. O salário médio é de 2.380 € e o salário mediano é de 1.000€.
Em 2025, com um salário mínimo de 870€, o salário mediano era de 984 euros líquidos, o que representava 100 euros a mais do que o salário mínimo.
Isto significa que metade dos trabalhadores em Portugal recebe menos de 1000 euros líquidos.
Um dos principais alertas do Banco de Portugal é de que esta compressão nas remunerações pode provocar desincentivos ao trabalho e trazer riscos para a produtividade.
As empresa com as margens reduzidas com que operam e carga fiscal a que estão sujeitas, não conseguem aumentar salários de escalões superiores e de pessoas qualificadas, porque por imposição legal têm que aumentar anualmente o salário mínimo nacional.
As pessoas qualificadas, que acrescentam mais produtividade e valor às empresas sentem-se desmotivadas, e se querem ganhar mais, apenas têm uma solução: emigrar.
Mais uma vez, os salários não se aumentam por decreto no início de cada ano. Aumentam-se pela produtividade. O aumento do salário mínimo apenas beneficia o Estado com o aumento das contribuições para a segurança social.
Caminhamos a passos largos para um salário único em Portugal.
















