Durante o mês de novembro assinala-se o “Movember”, um movimento mundial que tem como objetivo sensibilizar a população para os problemas de saúde masculinos. É por isso importante abordar a Hiperplasia Benigna da Próstata – uma doença benigna comum nos homens a partir dos 50 anos – e como o seu tratamento pode ser cada vez menos invasivo.
O aumento prostático benigno, também conhecido por Hiperplasia Benigna da Próstata, caracteriza-se pela presença de uma próstata aumentada em termos de tamanho (hipertrofia da próstata) e em termos de número de células (hiperplasia prostática benigna). Sabe-se que afeta cerca de 50% dos homens a partir dos 60 anos e cerca de 95% dos homens a partir dos 80 anos.
A definição de tamanho de uma próstata normal e de volume prostático varia com a idade. Por outro lado, o tamanho da próstata nem sempre tem correlação com a gravidade dos sintomas: alguns doentes com próstatas apenas discretamente aumentadas podem apresentar muitos sintomas e doentes com próstatas maiores podem apresentar menos queixas.
Esta condição pensa-se estar relacionada com as alterações hormonais normais que os homens sofrem à medida que envelhecem e, em cerca de metade desses homens, a Hiperplasia Benigna da Próstata pode resultar no aumento do volume da próstata. Esse aumento causa um aperto da uretra que pode obstruir o fluxo de urina, causando desconforto e alguns sintomas do foro urinário: jato urinário mais fraco, dificuldade em urinar, micção a dois tempos, compasso de espera para iniciar a micção, aumento da frequência urinária, em especial durante a noite, dor ou ardor ao urinar.
A Hiperplasia Benigna da Próstata é uma doença crónica que, por vezes, apresenta manifestações agudas com necessidade de tratamento urgente como por exemplo a retenção urinária aguda, as infeções urinárias e a presença de sangue na urina (hematúria)
O diagnóstico é clínico e deve ser confirmado com alguns exames: ecografia, fluxometria, PSA (Antigénio Específico da Próstata), IPSS (International Prostate Symptom Score). Por vezes é necessária uma uretroscistoscopia ou pontualmente de um estudo mais aprofundado da função miccional (Estudo Urodinâmico)
Existem várias formas de tratamento, começando pela simples vigilância, passando pela medicação, a qual tem alguns efeitos secundários, até às técnicas cirúrgicas, abertas ou endoscópicas e não cirúrgicas, invasivas ou minimamente invasivas.
Das técnicas minimamente invasivas, o novo sistema Rezum® prima pela simplicidade e com baixa taxa de complicações ou efeitos secundários. É indicada para homens geralmente a partir dos 50 anos de idade e volume prostático entre 40cm3 a 80cm3. É também indicada para tratamento de próstata com hiperplasia da zona central e/ou do lobo médio.
Esta técnica utiliza a energia convectiva do vapor de água, direcionando doses controladas da energia térmica armazenada no vapor de água diretamente para a região da próstata onde se localiza o tecido obstrutivo que causa todos os sintomas associados à hiperplasia benigna.
A grande vantagem desta técnica é que, para além de oferecer uma alternativa segura e eficaz à medicação, preserva as funções urinária e sexual.
É um procedimento célere – cerca de 15 a 20 minutos – que pode ser realizado em bloco operatório com sedação, em regime de ambulatório (o doente não necessita de internamento), praticamente sem dor pós-operatória e com um tempo de recuperação muito curto. A maior parte dos doentes regressa à vida ativa após um ou dois dias. A melhoria dos sintomas geralmente verifica-se gradualmente ao longo de 1 a 3 meses.
Esta técnica é utilizada no Hospital CUF Viseu desde 2020 tendo já sido tratados mais de 80 doentes que apresentaram significativa melhoria dos seus sintomas.
















