ARTIGO DE OPINIÃO: Os “pré-juízos” da TAP

09/05/2021 21:00

A TAP é criada a 14 de março de 1945, com o nome “Transportes Aéreos Portugueses”, e é atualmente a companhia aérea de bandeira portuguesa, sendo membro integrante da Star Alliance. Da sua estrutura acionista fazem parte o Estado Português com 72,5% das ações, Humberto Pedrosa com 22,5%, sendo os restantes 5% das ações detidas pelo grupo de trabalhadores da TAP Air Portugal. À data de 31 de dezembro de 2020, o nº de trabalhadores da empresa era de cerca de 8.100 pessoas.

A empresa desenvolve a sua atividade no mercado da aviação comercial, sector de atividade que a nível global é considerado como sendo um dos mais complexos e difíceis no que respeita à gestão de empresas.

As margens de lucro são praticamente inexistentes, os recursos financeiros necessários à atividade operacional de uma companhia de aviação são difíceis de imaginar para o cidadão comum, e o retorno do investimento, quando existe, é extremamente baixo ou praticamente nulo. É um negócio de “milhões” que, no final, rende “tostões”.

Às receitas obtidas há que descontar os custos com aviões, combustível, taxas e pessoal, que, no final, absorvem a quase totalidade das receitas geradas pelas operações das companhias.

A atividade de aviação comercial está sujeita a inúmeras condicionantes externas que não controla: vulcões, crises políticas, preço dos combustíveis, e ultimamente a pandemia provocada pelo Coronavírus.

A comprovar estes factos, está a citação proferida por Richard Branson, fundador da companhia aérea britânica Virgin Atlantic Airways, que em determinada altura perguntou a uma audiência qual era “a maneira mais fácil e rápida para alguém se tornar milionário?”, ao que, perante as dúvidas da audiência, respondeu: “É ser-se bilionário primeiro e investir numa companhia aérea a seguir”.

Entre 2008 e 2018, a TAP acumulou prejuízos de 822 milhões de euros, já deduzindo os lucros de 21,2 milhões de euros registados em 2017, em 2019 registou um prejuízo de 105,6 milhões e em 2020 apresentou prejuízos históricos, num total de 1.230 milhões de euros.

Em 1994 a TAP recebeu 1.450 milhões de euros do estado. Em 2021 o valor do apoio do estado à TAP está estimado em 1.700 milhões de euros.

Os empréstimos e ajudas do estado à TAP de hoje são impostos futuros que os contribuintes portugueses vão ter de pagar amanhã.

IBERIA (Espanha), ALitália (Itália), Olympic Airways (Grécia), Aer Lingus (Irlanda) e Austrian Airlines (Áustria), são algumas das companhias de bandeira da europa que foram privatizadas na última década.

Se a natureza tem horror ao excesso, o mercado tem horror ao vazio.

Faz sentido a “TAP” continuar a existir?


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