Ordem dos Engenheiros entende que a Barragem de Girabolhos é a obra que faltava para proteger o Baixo Mondego

28/07/2026 12:49

A Ordem dos Engenheiros, em comunicado, saúda a iniciativa do Governo relativamente à manutenção da decisão da construção da Barragem de Girabolhos, «uma infraestrutura há várias décadas aguardada e que esta Ordem profissional considera um instrumento essencial para a segurança e a gestão hídrica da bacia do Mondego, constituindo um ativo estratégico para Portugal».

O relatório técnico de gestão da bacia do Mondego, elaborado pela Ordem dos Engenheiros e entregue ao Governo na sequência das cheias devastadoras do início do ano, é muito claro na sua recomendação: a construção da Barragem de Girabolhos é uma medida prioritária e urgente.

«Do ponto de vista técnico, o sistema atual está esgotado. As cheias de janeiro e fevereiro de 2026 – provocadas pelas tempestades Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo e Marta, agravadas por duas superfícies frontais associadas à depressão Nils – demonstraram que a capacidade de regularização da barragem da Aguieira já não é suficiente para fazer face aos caudais extremos que se têm verificado. A rutura do dique do leito central do Mondego foi o sinal mais grave dessa insuficiência», consideram.

Por outro lado, a Ordem dos Engenheiros explica que a Aguieira precisa de funcionar a cotas mais baixas: «O relatório recomenda que o volume de armazenamento da Aguieira seja mobilizado até cotas inferiores a 117 m (no limite 110 m). Isto significa manter a barragem com menos água retida para que possa absorver grandes afluências súbitas sem ter de descarregar caudal excessivo para jusante. Mas esta medida, isoladamente, reduz a garantia de abastecimento nos períodos de seca que se seguem às cheias».

«É aqui que a Barragem de Girabolhos entra como elemento complementar indispensável: ao assegurar volumes de água disponíveis após os eventos de cheia e nos períodos de menor afluência, permite que a Aguieira opere com a folga necessária para controlar cheias sem comprometer o abastecimento público, a agricultura e os usos ambientais a jusante», acrescenta.

O relatório vai ainda mais além, e enquadra esta solução também como uma adaptação prioritária às alterações climáticas: «Os fenómenos extremos – ora cheias violentas, ora secas prolongadas – tenderão a agravar-se, e o sistema Mondego precisa de capacidade de regularização adicional para responder a ambos os cenários».

Por tudo isto, a Ordem dos Engenheiros defende a Barragem de Girabolhos não apenas como uma obra de controlo de cheias, mas como «a solução estrutural que viabiliza o funcionamento seguro e resiliente de todo o sistema da Aguieira, conjugando proteção contra cheias, garantia de abastecimento e adaptação climática».


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