Afinal o que é o espirito artístico senão uma manifestação de sensibilidade da alma, traduzida numa competência intrínseca, hormonal, hereditária ou divina?
Não acredito na máxima de que todos podemos ser o que quisermos. Não é de todo verdade, e na minha perspectiva é um erro quando tentamos incuti-lo no espírito dos jovens. Não me interpretem mal. Eu acho que todos devemos ser estimulados intelectual e culturalmente, ter acesso ao ensino, ser incentivados na procura do conhecimento, mas sou absolutamente contra a vontade dos “paizinhos” que querem transformar à força os seus filhos em cantores… bailarinos… Ronaldos… Picassos etc.
Sejamos claros… ou se nasce com um dom artístico ou nunca se será artista. Poder-se-á parecer…mas não basta parecer. A aprendizagem das técnicas, a prática, o treino serão importantes, mas o que faz do artista… artista é algo invisível que se manifesta forçosamente mais cedo ou mais tarde e que, quando não acontece, gera invariavelmente infelicidade.
Quando existe um dom, a procura do aperfeiçoamento por parte de quem se expressa é constante, mas o absoluto realmente é a criatividade. Não poderemos ser todos o que quisermos, mas temos o livre arbítrio da escolha do caminho que queremos traçar nas nossas vidas e essa escolha deve ser feita em liberdade, independentemente da idade. Amparar, encaminhar, incentivar sim, mas iludir não e decidir deveria ser sempre um acto individual.
Votos de um feliz Natal para todos.















