ARTIGO DE OPINIÃO: O “outro lado” da Exposição Itinerante que passou por Lafões

30/09/2025 18:13

De 13 a 28 de setembro esteve patente no Balneário D. Afonso Henriques, nas Termas de S. Pedro do Sul, a Exposição Itinerante “Sabores e Tradições: Confrarias e imagens”, a 5ª paragem do périplo expositivo, desta vez com a organização da Confraria dos Gastrónomos de Lafões em conjunto com a Confraria Gastronómica dos Sabores Portugueses no Luxemburgo, que está na génese desta ideia, que foi apresentada em fevereiro deste ano, precisamente em S. Pedro do Sul.

Depois da passagem pela Amadora, Lisboa, Almeirim e Espinho, a passagem por Lafões fica marcada como um marco histórico em vários aspetos, a começar pela divulgação na comunicação social, pois foi divulgada desde os sites e jornais regionais até a uma entrevista de 30 minutos na RDP Internacional e com o expoente máximo com a passagem da divulgação na RTP2, no programa Folha de Sala.

Sobre a parte visível, pode-se recorrer às palavras de José Couto, Presidente da Casa das Beiras, que sobre a exposição a descreve-a da seguinte forma: “A mostra reúne registos visuais de diversas Confrarias e associações regionais de Portugal, destacando a riqueza gastronómica, cultural e etnográfica das comunidades representadas. Através de fotografias evocativas, o público é convidado a conhecer os rostos, trajes, tradições e sabores que definem a identidade das várias regiões portuguesas”.

Estas palavras encaixam na perfeição no “outro lado” da exposição, a parte não visível e que foi sentida na montagem e desmontagem da exposição, bem como quem esteve presente na inauguração, pois estes momentos decorreram em pleno horário de funcionamento dos tratamentos e consultas que ocorriam no Balneário das Termas. Ou seja, houve uma permanente interação entre quem fazia os preparos para a exposição e as pessoas que frequentavam as termas.

A começar pelas palavras de elogio na montagem como por exemplo “que excelente iniciativa” e pelos relatos que foram transmitindo pelo contributo pessoal de retorno perante os esforços de todos os que participaram no projeto, e ao visualizarem as fotos, descreviam o que também conheciam e que nos era relatado, e ainda a curiosidade despertada pelo interesse em saber o que fazem as confrarias pela gastronomia, bem como o sentimento de vaidade da beleza das imagens e dos trajes das pessoas que eram da terra das confrarias representadas.

Houve também relatos de confrades que se encontravam em tratamentos termais e o sentimento de orgulho de dizerem à pessoa ao lado que também pertenciam a determinada confraria, enquanto outros questionavam porque a confraria deles não estava exposta.

De facto, o êxito da exposição em Lafões deve-se ao fator do trabalho laborioso na organização e sobretudo ao local escolhido para a mostra, pois o Balneário das Termas é um local de passagem de milhares de pessoas de norte a sul do país, que enquanto os utentes esperavam diariamente pelos tratamentos tiveram a oportunidade de ver e rever a exposição, sinal disso mesmo, foi o “voar” de panfletos que as confrarias deixaram no local para melhor identificar as suas origens e mais-valias dos seus territórios quer gastronomicamente quer turisticamente, tendo permanecido na mente as palavras ditas por Isabel Ferreira, a Grã-Mestre luxemburguesa: “Nas Termas de S. Pedro do Sul, os utentes encontrarão um pouco de Portugal”, mas foi isso e muito mais, pois em muitas das abordagens as pessoas queriam saber para onde a exposição iria a seguir.

No dia da desmontagem, foi curioso o semblante de quem trabalha nas termas ao dizerem “que pena irem embora, estávamos tão habituadas a ver as pessoas alegremente a irem indagar sobre a exposição e os belos comentários que faziam”, bem como algumas pessoas, não utentes, que apenas entravam para visitar a exposição, como aconteceu com algumas pessoas que vieram após a desmontagem em que algumas afirmaram que iam ver porque lhes falaram que valia a pena a visita.

Mas há ainda um “outro lado”, o lado das críticas negativas. Algumas incidiam sobre a questão do motivo porque não estava lá representada a terra de onde viviam ou nasceram, que foram colocadas pessoalmente e outras idênticas nas redes sociais, mas se estivessem estado presentes em fevereiro na primeira “Conferência das Confrarias e o Desenvolvimento Microeconómico”, ou na palestra após a inauguração, em que foi explicado que a logística que envolve este projeto só tem estrutura para 20 confrarias, até porque em 2026 a mesma seguirá para o estrangeiro e culminará no Luxemburgo, e não poderia suportar as largas centenas de confrarias que existem em Portugal e Ilhas. Aliás, no ato inaugural foi lançado um site que está apenas preparado para essas 20 confrarias que aderiram ao projeto.

Existem também as críticas só porque “sim”, como um proeminente cidadão de S. Pedro do Sul, que se sentiu ultrajado por não ver a representação da Confraria de Lafões, quando na realidade estava lá a dos Gastrónomos de Lafões e a do Frango do Campo… Além dos que no seio das confrarias simplesmente não se revêm neste género de projeto. Mas como em tudo na vida; se se faz, é porque se faz, se não se faz, é porque não se faz.

E aí, há que dar o devido valor à confraria luxemburguesa, porque embarcou nesta aventura com oito confrarias no início, em Lafões apresentou 18, nacionais e internacionais, e em breve contará com as 20 confrarias, quem sabe já na próxima paragem, que será em Fafe integrando o X Festival Gastronómico Vitela Assada à Moda de Fafe, de 3 a 5 de outubro.

O terceiro “outro lado” tem a ver com o importante contributo dos municípios e das Casas Regionais, que estão contempladas num folheto descritivo desse apoio. Sobre as mesmas, o Presidente da Casa das Beiras, em Lisboa, mais uma vez descreve esse inequívoco apoio de uma forma pertinente:

“Com o entusiasmo habitual e pela mão da Dra Isabel Ferreira da Confraria Gastronómica dos sabores portugueses no Luxemburgo, as Casas Regionais de Tomar, Vinhais, Arganil, Idanha- a- Nova, Covilhã, Sertã, Alvaiázere, Ferreira do Zêzere e Casa do Concelho de Gouveia na bela Serra da Estrela assim como a Casa das Beiras em Lisboa – Nova Era estão presentes na exposição itinerante “Sabores e Tradições: Confrarias em Imagens”, da Confraria Gastronómica dos Sabores Portugueses no Luxemburgo.

A participação da Casas Regionais evidencia o empenho da associação entre Confrarias e Casas Regionais, a convite da Dra Isabel Ferreira, responsável da Confraria Gastronómica dos Sabores Portugueses, no Luxemburgo, em promover e preservar as tradições locais além-fronteiras, reforçando os laços entre as comunidades emigrantes e as suas raízes e dando a conhecer a cultura e a Diáspora em sabores bem portugueses, partilhando emoções e mantendo viva a essência regional”.

Aníbal Santos

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