Segundo estimativas do Eurostat, de 2002 a 2021, Portugal desceu seis lugares, passando de 15⁰ para 21⁰, na tabela comparativa do PIB “per capita”, de cada um dos 27 estados-membros da UE.
Fomos ultrapassados por duas economias de leste, Polónia e Hungria, e até a Irlanda que, como nós, esteve sob resgate, está numa sólida 2.ª posição, só atrás do Luxemburgo.
Com pezinhos de lã, vai ficando comprometida a prometida convergência com a UE, o que devia o grande objectivo das políticas económicas e financeiras desenhadas pelos governos portugueses.
Mas, pelo que se vê, e números são números, não são interpretações, são objectivos, o desiderato nacional, sempre agitado como grande desígnio das legislaturas, fica cada vez mais difícil de alcançar.
Razões, há muitas, e para todos os gostos.
Mas talvez consigamos encontrar em quatro indicadores, as razões para este atraso, que quase parece ser o nosso triste fado.
Na produtividade face à média da UE, igualamos a Hungria, com 73%, mas ficamos, claramente, atrás da Polónia, que regista uns bem melhores 82%.
Na população com o ensino secundário, e com mais capacitação para o desempenho, o comparativo é uma desgraça inaudita. Os nossos 55.4% são esmagados pelos 93.2% da Polónia e pelos 85.6% da Hungria.
Na taxa máxima de IRC, que tributa as empresas, os nossos 31.5% triplicam os 10.8% da Hungria e quase duplicam os 19% da Polónia.
No peso que as exportações têm no PIB, os 42% de Portugal representam metade dos 81.3% da Hungria e ficam muito longe dos 60.9% da Polónia.
Após décadas de adesão à EU e depois de sacos de milhões, estarmos quase na cauda da Europa e sermos ultrapassados, ano após ano, por países mais recentemente admitidos, e com economias mais atrasadas, deve fazer-nos reflectir sobre o que andamos a fazer e sobre o acerto do caminho traçado para chegarmos ao que ambicionamos.
Talvez a política de baixos salários e de elevada carga fiscal, que veio para ficar, retirando poder de compra às famílias e competitividade às empresas, não configure o modelo económico adequado, embora não se vislumbre um rasgo de ousadia que rompa com o sarro de medidas obsoletas e desadequadas.
Certo é que, se não acordarmos, talvez até a Bulgária nos ultrapasse, e nos entregue o carro-vassoura. E perderemos, de vez, as ilusões de que somos capazes de melhor.
















