Muitos são conhecedores da minha paixão pela Banda Desenhada, desde criança colecionando títulos como Tarzan, Mandrake, Robim dos Bosques, Principe Valente, e depois mais tarde os Clássicos Portugueses ( José Ruy, Artur Correia, José Garcês, E.T. Coelho, Vítor Péon, Batista Mendes, Pedro Massano, … – infelizmente muitos deles já falecidos). Depois chegou naturalmente a aproximação aos artistas franco-belgas e americanos, aqui apenas salientando Herman, Milo Manara, ou Alex Ross e Alan Moore nos EUA.
Existem diversas adaptações desta obra à Banda Desenhada, procurando satisfazer os leitores em função da qualidade da arte do desenho ou do colorido emprestado às representações seculares, ou de acordo com a mestria dos argumentistas envolvidos.
De alguns anos a esta parte, a RTP e a editora Levoir uniram-se num esforço de edição de clássicos da Literatura adaptados para a Banda Desenhada, resultando desta união algumas obras de assinalável interesse (muitas integrando um caderno técnico sobre a obra e o autor). Desta feita escolhi a obra IVANHOE, recentemente editada com o número 24 da coleção, um clássico da história da cavalaria medieval dos tempos do Rei Artur e de Robin dos Bosques.
Novelista, poeta, ensaísta, Walter Scott nasceu em 1771, tornando-se um dos mais famosos autores britânicos. Foi iniciador do Romance Histórico, hoje um género de narrativa muito procurado e consumido, e do qual não escondo grande apreço. Escreveu mais de 30 romances históricos.
Em 1819 publica IVANHOE, tornado sucesso com vendas que logo ultrapassaram os 10 000 exemplares em 15 dias. Nesta obra romanceada o autor viaja até à Inglaterra medieval, dos tempos da resistência dos saxões contra os conquistadores normandos. Recheado de torneios e batalhas, o romance ajuda-nos a compreender o genuíno espírito dos valorosos cavaleiros da Távola Redonda, registando em objetos e cenários detalhados os elementos essenciais de uma reconstrução histórica e política. A busca romântica, o cavalheirismo, façanhas bélicas, os torneios, representando um rigoroso trabalho de investigação e enquadramento históricos.
Sobre a adaptação para a Banda Desenhada, podemos afirmar que Stefano Enna (argumento), Stefano Garau (desenhos) e Minte Studio (cores) fizeram um extraordinário trabalho, culminando numa obra de leitura agradável e admirável trabalho artístico, onde predominam grandes planos de torneios e lutas de espada, banquetes em salões reais, belos castelos, por entre pormenores interessantes da vida entre judeus e cristãos.
O ritmo da narrativa é assegurado pela conjugação harmoniosa de diálogos esclarecedores com pequenas descrições de contextualização e continuidade, o traço artístico é seguro, realista sem ser exagerado, as cores são quase sempre consistentes com o encadeamento das cenas e dos cenários. Para os iniciados ou que procuram uma leitura mais rápida deste clássico, a recente obra preencherá os requisitos de uma leitura interessante, rica de História e de memórias seguramente. Uma obra que ocupará um lugar de destaque em qualquer biblioteca familiar.
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