O Cancro da Cabeça e Pescoço é o sétimo cancro mais comum no mundo, com gravidade e prevalência crescente, existindo cerca de 650 000 novos casos e 350 000 mortes por ano, a nível mundial1. O cancro da cabeça e pescoço inclui os tumores que afetam a cavidade oral, faringe, laringe, fossas nasais, seios perinasais e glândulas salivares.2,3
Os homens com mais de 40 anos têm maior probabilidade de desenvolver cancro da cabeça e pescoço e a incidência em mulheres está a aumentar.1

Quais são os fatores de risco1?
Os principais fatores de risco são:
- HPV – transmitido com atividade sexual (principalmente se desprotegida); o risco aumenta com o número de parceiros sexuais. Este vírus está associado a vários tipos de cancro da cabeça e pescoço, principalmente da orofaringe.
- Tabaco – têm 15 vezes maior probabilidade de desenvolver este tipo de cancro
- Álcool – pessoas que bebam diariamente ou com elevada frequência e quantidade, correm um risco significativamente maior de desenvolver cancro da cabeça e pescoço.
Quais são os sinais e sintomas?
Os sinais e sintomas4 mais frequentes são:
- Dor na língua
- Feridas na boca que não cicatrizam
- Manchas vermelhas ou brancas na boca
- Dor na garganta
- Rouquidão persistente
- Dor e dificuldade a engolir
- Caroço no pescoço
- Nariz entupido
- Sangue na boca, nariz ou garganta
Deve consultar o seu médico de família, ou um médico especialista de cancro da cabeça e pescoço após referenciação pelo primeiro, se persistência, por mais de 3 semanas, de 1 destes sintomas.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é realizado através de biópsia ou citologia, podendo haver necessidade de realização de nasofibrolaringoscopia. Este último exame ajuda a diagnosticar e localizar doenças que afetam o nariz, faringe e laringe.
Após obter o diagnóstico e avaliação clínicia pelo cirurgião maxilofacial (cirugião geral ou otorrinolaringologista também poderão ser consultados), deve ser realizada uma TAC do Pescoço-Tórax e/ou Ressonância Magnética. Nos casos mais avançados pode haver necessidade de realização de outro exame imagiológico, vulgarmente conhecido como PET-TC.4
Uma vez que o diagnóstico é feito, na maioria dos casos, numa fase avançada a mortalidade é elevada. Se o diagnóstico for realizado na fase inicial da doença existe uma taxa de sobrevivência de 80-90%. Infelizmente a maioria das pessoas (ainda) são diagnosticadas em fase avançada e cerca de 60% vivem com sequelas importantes do tratamento e da doença.4
Qual é o tratamento?
Após realização dos exames de estadiamento, uma equipa multidisciplinar reúne para discussão do caso e decisão sobre o melhor tratamento para cada pessoa. Dependendo do caso, o tratamento poderá passar por cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou imunoterapia. Estes modalidades de tratamento podem ter indicação isoladamente ou associadas.
Destes tratamentos podem surgir sequelas (que podem ser temporárias ou definitivas) como a mucosite (inflamação) oral com feridas e dor na boca com dificuldade na alimentação e ainda boca seca e dermatite provocada pelos tratamentos de radioterapia.
Cerca de 90% das recidivas ocorrem nos 2 anos após o tratamento inicial, sendo que em 40% dos casos são assintomáticas. Mais de 40% das metástases, com disseminação do tumor para outros órgãos (como o pulmão), ocorrem após 5 anos de seguimento. Por este motivo, as pessoas com cancro da cabeça e pescoço devem manter um seguimento durante, pelo menos, 5 anos.4
Esteja atento a alterações que surjam e procure o seu médico de família em caso de manutenção das mesmas ou para esclarecimento de dúvidas. Uma pessoa informada é uma pessoa empoderada!
Referências
- Major Risk Factors in Head and Neck Cancer: A Retrospective Analysis of 12-Year Experiences | World Journal of Oncology
- European Head and Neck Society recommendations for head and neck cancer survivorship care | Oral Oncology Journal
- Head and Neck Cancer | The New England Journal of Medicine
- Make Sense Working Group | European Head and Neck Society
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(i)Health Literacy: Head and Neck Cancer
Head and Neck Cancer is the seventh most common cancer in the world, with increasing severity and prevalence, with around 650,000 new cases and 350,000 deaths per year worldwide1. Head and neck cancer includes tumours affecting the oral cavity, pharynx, larynx, nasal cavity, paranasal sinuses and salivary glands.2,3
Men over 40 are more likely to develop head and neck cancer and the incidence in women is increasing.1

What are the risk factors1?
The main risk factors are:
- HPV – transmitted through sexual activity (especially if unprotected); the risk increases with the number of sexual partners. This virus is associated with various types of head and neck cancer, mainly of the oropharynx.
- Tobacco – 15 times more likely to develop this type of cancer
- Alcohol – people who drink on a daily basis or with a high frequency and quantity run a significantly higher risk of developing head and neck cancer.
What are the signs and symptoms?
The most common signs and symptoms4 are:
- Pain in the tongue
- Wound in the mouth that don’t heal
- Red or white patches in the mouth
- Pain in the throat
- Persistent hoarseness
- Pain and difficulty swallowing
- Lump on the neck
- Stuffy nose
- Blood in the mouth, nose or throat
You should consult your family doctor, or a doctor specialising in head and neck cancer after referral by the former, if 1 of these symptoms persists for more than 3 weeks.
How is the diagnosis made?
Diagnosis is made through biopsy or cytology, and nasofibrolaryngoscopy may be necessary. The latter helps diagnose and localise diseases affecting the nose, pharynx and larynx.
After obtaining a diagnosis and clinical assessment from the maxillofacial surgeon (a general surgeon or otorhinolaryngologist may also be consulted), a CT scan of the neck-thorax and/or MRI should be carried out. In more advanced cases, it may be necessary to carry out another imaging test, commonly known as PET-CT.4
Since the diagnosis is made, in most cases, at an advanced stage, mortality is high. If the diagnosis is made in the early stages of the disease, there is a survival rate of 80-90%. Unfortunately, most people are (still) diagnosed at an advanced stage and around 60 per cent live with significant sequelae from the treatment and the disease.4
What is the treatment?
Once the staging tests have been carried out, a multidisciplinary team meets to discuss the case and decide on the best treatment for each person. Depending on the case, treatment may include surgery, radiotherapy, chemotherapy or immunotherapy. These treatment modalities may be indicated alone or in combination.
These treatments can cause sequelae (which can be temporary or permanent) such as oral mucositis (inflammation) with wounds and pain in the mouth and difficulty eating, as well as dry mouth and dermatitis caused by radiotherapy treatments.
Around 90 per cent of relapses occur within two years of initial treatment, and in 40 per cent of cases they are asymptomatic. More than 40% of metastases, with the tumour spreading to other organs (such as the lungs), occur after 5 years of follow-up. For this reason, people with head and neck cancer should be followed up for at least 5 years.4
Be aware of any changes that occur and contact your family doctor if they persist or if you have any questions. An informed person is an empowered person!
References
- Major Risk Factors in Head and Neck Cancer: A Retrospective Analysis of 12-Year Experiences | World Journal of Oncology
- European Head and Neck Society recommendations for head and neck cancer survivorship care | Oral Oncology Journal
- Head and Neck Cancer | The New England Journal of Medicine
- Make Sense Working Group | European Head and Neck Society















