Em qualquer uma das fases de desenvolvimento da criança, a brincadeira faz parte do seu processo de crescimento, devendo naturalmente integrar o seu quotidiano semanal.
Seja na escola ou em casa, a criança tem de ter tempo para brincar de forma espontânea, livre, seja no recreio, no jardim, quarto ou sala de sua casa, sem a obrigação de uma atividade de lazer que conste no seu planeamento escolar ou familiar.
Recordo os tempos em que jogava à bola com os amigos de bairro, com a construção de balizas com pedras ou paus. Os tempos do berlinde, pião, prego, ou do mundo imaginário com os carrinhos e bonecos. Os tempos em que a bicicleta fazia parte das nossas rotinas semanais, ou os jogos de rua, onde no verão as crianças e jovens estavam permanentemente a brincar.
Estes jovens e crianças tinham TPC, fichas/testes e também alguns compromissos semanais planeados (futebol, andebol, escuteiros, banda, fanfarra, catequese, entre outras), mas existia mais tempo para a construção do “eu” natural, onde cada um tinha espaço para construir a sua identidade, personalidade.
É verdade que nos anos 80/90 as crianças e os jovens não tinham telemóveis, nem redes sociais. Os tempos mudaram, e tenho a certeza de que em muitas circunstâncias para melhor, mas é importante deixar as crianças crescerem sem formatações e/ou padrões que outros definem ou pretendam.
E preciso orientar os alunos e os filhos para o melhor caminho a seguir, dar os melhores exemplos, mas não “obrigar” a que estes sejam quem verdadeiramente não são. As crianças precisam de tempos livres, sem obrigações constantes, para poderem desfrutar de outros prazeres que são muito importantes no seu percurso de vida.
É verdade que, por razões laborais, os pais têm o tempo semanal condicionado, mas sempre foi assim. Os pais devem estar com os filhos na elaboração dos trabalhos de casa, num estudo acompanhado, mas não podem ser horas neste processo, sob pena de uma exaustão bilateral.
Há tempo e espaço para tudo, mas a criança nunca pode deixar de brincar e assim desfrutar da sua idade, no tempo real.
Cabe à escola e à família encontrar as melhores estratégias conjuntas para fazer acontecer.
O Brincar faz parte da vida de uma criança.
















