ARTIGO DE OPINIÃO: A importância dos debates sobre alimentação

21/04/2026 18:15

Ultrapassado que está um quarto do século XXI, já todos tomamos consciência que a evolução alimentar tem vindo a alterar o paradigma do que era a base alimentar de, por exemplo, há 50 anos atrás.

Pegando na frase de “mudança de paradigma”, diz-se que ocorre quando o modelo ou método anterior deixou de ser eficaz, mas no caso da alimentação a alteração não tem a ver com o método em si, pois o que alimenticiamente fazia mal à saúde há meio século atrás, continua a fazer mal atualmente.

Então o que fez mudar os hábitos alimentares? A resposta não está na alimentação, mas no ritmo que a vida tem levado a que a correria do dia-a-dia tenha proporcionado uma procura de uma alimentação que seja mais prática e fácil de saciar a nossa fome.

Claro que é do conhecimento geral que o consumo de produtos pré-cozinhados são um fator de risco para a própria saúde, ou seja, quem os consome está a ser o inimigo de si próprio.

Resumindo, cada vez mais faz sentido debater sobre a alimentação. Um bom exemplo disso mesmo foi o colóquio “Entre Ciência e Tradição – Conversas sobre Alimentação”, promovido pela Escola Profissional de Vouzela, que decorreu no seu auditório no passado dia 27 de março, e que teve como público-alvo a comunidade escolar, além do público em geral.

O painel de oradores foi constituído por Inês Paiva, Vereadora da Educação do município de Vouzela; Beatriz Loureiro, Nutricionista estagiária; Maria Almeida, Médica de Medicina Geral e Familiar; Sara Almeida, Psicóloga Educacional; José Lino Tavares, Diretor Pedagógico da Escola Profissional de Vouzela (EPV); Rodrigo Cortinhal, do Ginásio ZelaFitness; Ana Esperanço, da Confraria dos Gastrónomos de Lafões. A moderação ficou a cargo da Dra. Aline Maia.

A palestra envolveu a comunidade para um momento de partilha, reflexão e descoberta em torno de um tema que faz parte do nosso dia-a-dia: a alimentação.

Entre o saber científico e as tradições que atravessam gerações, esta conversa pretendeu explorar diferentes perspetivas sobre aquilo que comemos, como escolhemos e o impacto dessas escolhas na nossa saúde e bem-estar, pensada para informar, inspirar e promover hábitos mais conscientes, porque alimentar o corpo também é alimentar o conhecimento.

Durante a palestra, os oradores procuraram ligar o tema à educação, à saúde, à nutrição, ao exercício físico e à tradição, pois a sala era composta na sua maioria pelos mais jovens, cuja tendência é mais a preocupação com a imagem corporal, daí que a iniciativa proporcionou uma abordagem mais pedagógica.

Para José Lino Tavares, torna-se basilar debater alimentação e exercício físico, realçando “a dualidade de questões, pois é difícil mudar hábitos alimentares e o paladar dos alunos” elencando que o próprio estabelecimento de ensino tem adotado medidas como a formação dadas às cozinheiras com a utilização de alimentos mais saudáveis e a redução do sal nos temperos, referindo que “apesar de não haver fundamentalismos, não tenho dúvidas de que a mudança de hábitos irá contribuir até para o sucesso escolar, para diminuir o recurso ao SNS e aumentar a qualidade de vida dos estudantes”.

A médica Maria Almeida referiu que no fundo é o mais saudável é quando existe uma relação de equilíbrio alimentar, alertando para os perigos do “fast food” e no que pode acarretar em problemas de saúde para o futuro, referindo “A alimentação, o sono e o exercício físico são três pilares fundamentais para o bem-estar”, acrescentando que “em jovens não temos tendência a pensar que vamos ficar doentes, mas o que fazemos hoje vai ter impacto no futuro”.

A intervenção da psicóloga Sara Almeida fez realce que “para os adultos é mais fácil ver o perigo, enquanto para as camadas mais jovens é uma realidade muito longe”. Deixando como recomendação “É preciso trabalhar a questão da tomada de decisão”.

Mais acalorada positivamente foi a conversa do Rodrigo Cortinhal, perante os jovens que estavam na sala, até porque alguns dos jovens frequentam o seu ginásio, dizendo que não adianta tomarem suplementos para manter a forma se não tiverem uma atitude mais saudável, referindo que “exercício e a alimentação têm de estar de mãos dadas e que se não houver uma vida equilibrada, a parte psicológica também é afetada.

Para a Vereadora Inês Paiva, destacou a importância de “se apostarem em políticas de sensibilização não só a nível local mas igualmente a nível nacional, numa perspetiva de que haja no futuro uma disciplina de nutrição”.

Já com um leque de assuntos abordados em torno do ponto fulcral, Ana Esperanço, da Confraria dos Gastrónomos de Lafões, incidiu sobre o trabalho que a Confraria tem tido em que se mantenham as tradições alimentares, receando que “os nossos jovens já não conheçam a identidade gastronómica” salientando o risco de que “se perca o gosto pela cozinha”, mas evidenciou o papel que “aqueles pais que ainda tenham a sua horta ou animais podem e devem transmitir o legado”, até porque felizmente em Lafões ainda existe uma parte rural que se vai adaptando aos tempos modernos. Por outro lado, elencou o enorme potencial turístico que a rica gastronomia da região pode produzir em termos económicos e gerando empregabilidade, levando à fixação das pessoas na região.

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