

“No coração da Antártida, uma história sobre coragem, obsessão e Amor”.
Esta obra singela, que estou e ler presentemente, quase como quem lê uma notícia de um feito extraordinário, é a descrição exemplar de uma “vitória do espírito e da força humana sobre o domínio e os poderes avassaladores da Natureza, uma façanha que nos eleva acima da imensa monotonia da vida quotidiana; uma vista para planícies cintilantes, com montanhas altas recortadas pelo frio céu azul, as terras cobertas por camadas de gelo de extensão inconcebível… o triunfo dos vivos sobre a esfera hirta da morte”.
Henry Worsley passou a vida a idolatrar Ernest Shackleton, o explorador do século que tentou ser o primeiro a chegar sozinho ao Polo Sul – mas que nunca completou as suas viagens, . e, mais tarde, tentou cruzar a Antárctida a pé. “Shackleton nunca completou nenhuma das jornadas, mas resgatou repetidamente os seus homens da morte certa e emergiu como um dos maiores líderes da história”, escreve Grann, jornalista que agora conta a notável história de Worsley.
Worsley (1960-2016) sentia um fascínio poderoso por essas expedições e acreditava que poderia completá-las com bastante estudo e treino e evitando erros cometidos antes. Em 2008, fez a primeira viagem, acompanhado por um descendente de Shackleton e pelo bisneto do seu homem de confiança. Depois de regressar a casa, quis voltar à Antártida, mas para a atravessar a pé sem qualquer companhia. O resultado é conhecido: uma história de aventura, superação, coragem, amor e derrota – mas nem por isso menos fascinante. David Grann conta-a com a força e a intensidade de uma narrativa que nos transporta aos perigos dos mares do Sul e à escuridão da neve antártica.
Conta David Grann que Henry Worsley, condecorado oficial das forças especiais britânicas, era um marido e pai dedicado, um explorador que acreditava em honra e sacrifício
A obra é uma edição em Portugal da QUETZAL, com tradução de Vasco teles de Menezes. Tocado pela visão extraordinário do Inferno branco, um lugar gelado, Henry Worsley alimentou durante toda a sua vida uma admiração e obsessão também pela gesta aventureira daqueles que tentaram (e por vezes morreram) atravessar os espaços gélidos e quase desérticos da Antártida ou do Polo Norte. Também eu em criança, lenda as aventuras de Scott e Amundsen, exploradores das imensidões geladas, sonhava com explorações heroicas, que depois procurava reproduzir com os meus amigos em viagens de exploração no território das Montanhas Mágicas da Gralheira e da Freita. Porque nãos e sabe ainda hoje o que move certas pessoas a viverem situações extremas, com risco da própria vida, para alcançar espaços só aos deuses destinados. Por isto e por muito mais recomendo a leitura desta singela obra.
«Um belo livro. Grann habilmente evoca o ruído do trenó no gelo e a queimadura da pele em temperaturas negativas.»
The Wall Street Journal
















