Já arrancou, em Tondela, a semana da Fábrica da Queima, reunindo mais de 300 participantes de diferentes idades e proveniências num processo coletivo de criação que culminará na apresentação do espetáculo conhecido como a Queima e Rebentamento do Judas, no próximo dia 4 de abril, às 23h00, no Recinto da Feira semanal de Tondela.
Promovida pela ACERT – Associação Cultural e Recreativa de Tondela, esta iniciativa, que vai já na sua 30.ª edição. Até 3 de abril, sexta-feira, as oficinas da Fábrica da Queima dão forma ao espetáculo comunitário, envolvendo áreas como a construção, o teatro, o movimento e a música.
Ao longo de cinco dias, os participantes colaboram na criação de cenografias, ensaios e composição dos diferentes elementos que integram o espetáculo, com destaque para a construção cenográfica do Judas, uma figura de grandes dimensões (com cerca de 6 metros de altura) que será queimada, como gesto simbólico de reflexão e catarse.
A participação no evento atrai pessoas de todas as idades, mas sobretudo jovens que esperam com ansiedade por completarem 14 anos e poderem finalmente fazer parte do Judas. O número de participantes continua a crescer de ano para ano, reunindo pessoas da região e também de outros pontos do país. Para muitos, trata-se de uma primeira experiência marcada pela descoberta e pelo acolhimento. «O intuito é descobrir e ter uma experiência nova», refere Teresa Cardoso, proveniente do Porto, destacando o ambiente vivido nas oficinas e o espírito de entreajuda.
Para outros, o regresso é já um compromisso anual. «É uma experiência diferente todos os anos, como se fosse a primeira vez», partilha Mónica Alves, que participa pela segunda vez, sublinhando o sentimento de pertença que se constrói ao longo da semana.
A dimensão comunitária é um dos traços distintivos do projeto. A Fábrica da Queima promove o encontro entre diferentes gerações, incentivando a partilha de saberes, a criação artística e o envolvimento ativo da população. Ao mesmo tempo, reforça a ligação à tradição ancestral da Queima do Judas, reinventando-a como um momento de criação artística contemporânea em espaço público.
Na área da construção, o trabalho desenvolve-se de forma estruturada e colaborativa, dando origem a um objeto cénico de grande escala. Apesar do seu caráter efémero, construído ao longo de vários dias para ser destruído em poucos minutos, este processo é valorizado pelos participantes como uma experiência única de criação coletiva. Para Pedro Nascimento, participante há várias edições, este é um processo exigente, mas profundamente significativo. «É uma máquina bem trabalhada, estruturada e pensada. Com serenidade tudo se faz, é preciso é vontade», afirma.
Mais do que o espetáculo final, a Queima do Judas afirma-se como um processo onde a comunidade se reúne para pensar, criar e partilhar. Através da arte, são convocadas reflexões sobre o presente, os acontecimentos que afetam a vida da comunidade, tanto ao nível local, como nacional e internacional, num gesto simbólico que cruza tradição, expressão artística e envolvimento cívico. Este ano, o espetáculo intitula-se “Um Buraco No Gelo” e traz à tona temas como as guerras em curso, a crise climática, a banalização da mentira e a dificuldade de fazer frente aos poderosos e corruptos.
A apresentação do espetáculo terá lugar no dia 4 de abril, pelas 23h00, no Recinto da Feira Semanal de Tondela, onde se esperam milhares de pessoas no público, para assistir à 30.ª edição da Queima e Rebentamento do Judas e integrar esta celebração coletiva.
















