ARTIGO DE OPINIÃO: AR-MEN – O INFERNO DOS INFERNOS

11/06/2025 18:46

Meus amigos, mais uma vez vos peço que vos digneis ocupar um pedacinho do vosso tempo para atentarem a esta proposta de leitura (porque a Banda Desenhada dos nossos tempos de vez em quando surpreende-nos com obras avassaladoras, de arte e poesia narrativa). É o caso desta obra -. AR-MEN: O INFERNO DOS INFERNOS. Da autoria do artista Emmanuel Lepage (é argumentista e desenhador, nasceu em Saint-Brieuc, França, em 1966; ganhou vários Prémios: Prémio do Júri Ecumênico de Banda Desenhada (Prémio Valores Humanos), Grande Prémio do Festival de Sierre, na Suíça, Prémio da Associação de Livrarias de Banda Desenhada. A sua primeira grande história como autor completo, “Muchacho”, obteve o Prémio Château de Cheverny da Banda Desenhada. ).

Numa edição portuguesa da ALA DOS LIVROS (abril 2025), adquiri esta preciosidade na Feira do livro do festival de Banda Desenhada de Beja deste ano (na noite da inauguração, 30 de maio, com uma temperatura ambiente de 36 graus às 21.30h).

“escolhi viver no fim do mundo… assim poderia começar esta obra narrativa maravilhosa. “No fim deste baixio gelado, um fuste de vinte e nove metros emerge das vagas. Ar-Men. O nome bretão do rochedo onde foi erigido.”

Ao longe, ao largo da ilha de Sein, Ar-Men emerge das vagas. É o farol mais exposto do mundo.

Local da história – Finistère. Bretanha Francesa. Ao largo da ilha de Sein, o farol Ar-Men impõe-se às ondas. É o farol mais exposto e de mais difícil acesso da Bretanha e até mesmo do Mundo. Construído em 1867, chamam-lhe “O Inferno dos infernos”. De construção difícil, dadas as características das rochas e a sua exposição aos elementos, a sua luz ilumina os navios e protege-os dos recifes ameaçadores, poupando-os a um naufrágio certo. Sentinelas de uma costa acidentada que os marinheiros temem, ao longo dos tempos poucos foram os homens dispostos a ocupá-lo. Nos anos 1960, Germain é um desses guardiões temerários e solitários. Alheado do mundo, refugiado nesta construção isolada onde enfrenta a fúria dos ventos e das marés, Germain abriga também aí as suas feridas e as suas mágoas, as quais se misturam e dissolvem na história do farol e nas lendas celtas da Bretanha.

Obra magistral, de uma beleza pictórica contagiante e imersiva, onde as vagas parecem invadir o nosso espaço de leitura, abandonado a estreiteza do papel dividido em quadradinhos que se encharcam de tonalidades líricas, emotivo e provocador, levando-nos a repensar a nossa vida através do desenho rasgado das ondas e do voo das aves marinhas. Belo, provocador, um desafio (tornei-me o guarda do sonho!).

Porque cada um de nós transporta um sonho… e já um dos nossos grandiosos Poetas cantava: “o sonho comanda a vida!”. Porque a chama está acesa, está tudo bem… só temos que seguir a sua claridade entre as brumas do tempo e da memória!

Boas leituras. Carlos Almeida

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