Dēmokratía/Democracia. Para mim uma das palavras mais bonitas que existe.
Demos = pessoas e Kratos = regras. Este termo surge da antiga Grécia, com Solon (implantador da democracia grega em 600 A.C.) – embora na verdade os primeiros a implementar os princípios democráticos tenham sido os egípcios (ideais que acabaram por ser implementados por outras sociedades africanas, como o Kongo, e posteriormente transportados para o atual ocidente). Mas e hoje?
De acordo com o mais recente “Índex da Democracia” (2022) da Economist Intelligence Unit, regista-se uma estagnação preocupante no progresso democrático a nível mundial, com a pontuação média global do desempenho das democracias permanecendo quase inalterada: 5,28 pontos em 2021 e 5,29 em 2022 (de 0 a 10). Em 167 estados estudados, apenas 72 (43,1%) se consideram democracias plenas ou imperfeitas. Portugal é considerado uma democracia plena, posicionando-se em 28º lugar no ranking dos países mais democráticos.
Constata-se que mesmo países com democracias já consolidadas convivem com várias vulnerabilidades que têm levado as populações a desconfiar e distanciar-se das instituições políticas e decisoras – o que acarreta as suas consequências. A corrupção, a crise financeira, a crise política, pandémica e as crises associadas a conflitos bélicos que temos vivido são bons exemplos disso. Simultaneamente, temos assistido ao aproveitamento destas crises por discursos políticos populistas e sem soluções, focados nos discursos de ódio e raciocínios de polarização e radicalização facilitados por estratégias de desinformação (mecanismos que já vêm a ser ciclicamente usados desde 1890) que têm sido promovidos e banalizados, fomentando a marginalização, a intolerância e a exclusão, diminuindo a humanidade e aumentando a divisão e a dicotomia “nós vs. eles”.
Estas técnicas de desinformação são usadas para moldar a opinião pública através da emoção (o medo, a indignação, a insegurança, o ressentimento) e do descrédito de factos ou do raciocínio lógico e imparcial, por vezes com altos níveis de toxicidade. Ora, num país como Portugal, um dos mais envelhecidos do mundo, onde menos de dois milhões de residentes têm ensino superior completo, e com quase 50 anos de democracia instalada, estas técnicas parecem funcionar facilmente na população que mais facilmente adere à emoção, a crenças pessoais e a questionamentos que à procura de respostas e esclarecimentos para as suas dúvidas de maneira racional e imparcial nos seus discursos e ideários. Mas se a população não sabe como funciona o sistema ou o porquê da importância de votar, como pode estar segura das suas decisões? Como se escolhe corretamente quem irá decidir sobre a nossa vida nos próximos anos e talvez nos marcar para sempre (como foi com a troika)? Se não há literacia política, como pode a população não se deixar enganar por discursos e programas políticos? Mais, e se as pessoas votam e continuam a sentir-se insatisfeitas com o resultado?
A democracia é linda, mas é imperfeita, e cabe a nós como coletivo reforçá-la e protegê-la de maneira lógica, ponderada e científica. Só assim podemos efetivamente responsabilizar os governos e ver resultados positivos no nosso desenvolvimento como sociedade. Esta é uma responsabilidade nossa como cidadãos. Vamos exercê-la. O nosso futuro está nas nossas mãos.










