A necessidade aguça o engenho, diz povo e com razão.
Numa pequena aldeia da região de Viseu – a Lapa do Lobo, no concelho de Nelas – a Cultura existe, insiste e resiste. Se o Império fosse o Romano, podia muito bem ser a tal aldeia gaulesa a contrariar o pensamento dominante de que “no Interior, não se faz nada.”
É de facto curiosa e surpreendente a diversidade de manifestações, criações e atividades culturais e artísticas num espaço geográfico que, quisera o destino de outra forma, tudo tinha para nada ter.
Deve-se este inusitado frenesim cultural – vizinho inquieto e por vezes barulhento do sossego das casas de granito – essencialmente, a duas entidades ali residentes: a Fundação Lapa do Lobo que mexe, agita e embala dinâmicas artísticas, educativas, formativas e culturais nos dois concelhos que são a sua área de intervenção e a Contracanto Associação Cultural, que veio, um dia, encher de miúdos outra vez a escola primária desativada, encher os sonhos deles de palco e os palcos da região de Teatro Musical.
Fundação e Contracanto levam a Cultura à aldeia e, com ela, mais gente. Encher uma aldeia quando se fala de aldeias vazias é uma espécie de espírito de contradição de quem teima teimar.
São estas as duas entidades que irão organizar este ano, durante o fim de semana de 22, 23 e 24 de Julho a segunda edição do evento “Lapa do Lobo – Aldeia Cultural”. A primeira edição foi em 2018 e espalhou pelas ruas da aldeia aquilo que normalmente acontece durante o ano dentro de portas. Fotografia, Música, Teatro, Dança, Literatura, Pintura, Artes Manuais e outras – desde a arte de fazer vinho à a arte de se construir a Felicidade – assumiram manifestações várias durante três dias que prometeram e meteram a mão na massa.
Uma pandemia “sabotou” 2020, mas 2022 volta a prometer três dias de muita agitação: oficinas, exposições, concertos, colóquios, palestras, etc. Tudo isto novamente a lançar o desafio da interação dos visitantes, convidados a participar ativamente na dinâmica que personifica aquela curiosa e valente aldeia da Beira Alta. A diversidade e qualidade da oferta que terão lugar por toda a aldeia, emanando das sedes da FLL e Contracanto, pretendem agitar e animar, mas também cativar novos públicos, novos visitantes, gente, gente, gente e mais gente, como uma aldeia que é viva merece ter.
Merecem iniciativas como esta um olhar atento e obrigatoriamente participativo das edilidades que delas usufruem e das sinergias daí resultantes. São iniciativas cada vez mais raras por nascerem e resistirem sistematicamente por vontade e iniciativa próprias, substituindo-se muitas vezes às programações culturais oficiais vigentes na região que, por serem preguiçosas ou pobres ou talvez ambas, não chegam a ser suficientes ou dignas da população que deviam servir.
É, portanto, da constante e natural necessidade de valorizar e agitar culturalmente que esta Aldeia Cultural da Lapa do Lobo existe, insiste e resiste…enquanto existirem, insistirem e resistirem Fundação Lapa do Lobo e Contracanto Associação Cultural.
Tomem nota! Lapa do Lobo, uma aldeia cultural mesmo aqui ao lado.
















