Saúde dos portugueses piorou em 2021

26/02/2022 10:45

Em 2021, metade (50,2%) da população autoavaliou o seu estado de saúde como bom ou muito bom, menos 1,1 % do que no ano anterior, contrariando a tendência crescente deste indicador que se verificava desde 2014. O decréscimo foi proporcional ao aumento da população que avaliou o seu estado de saúde como razoável (de 35,5% em 2020 para 36,6% em 2021), anunciou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).

A realização de atividades também piorou: 34,9% da população com mais de 16 anos referiu ter alguma limitação devido a problemas de saúde e, desta, 9,6% foi severa. Ambos os indicadores registaram um acréscimo em relação aos anos anteriores, atingindo em ambos os casos as proporções mais elevadas desde 2016. A população idosa (60,8%) foi a mais afetada.

As pessoas que tinham completado o ensino secundário ou pós-secundário (66,2%) e o ensino superior (74,1%) registaram as maiores proporções de avaliação positiva do estado de saúde nesse ano, bem como as que tinham emprego (65,2%).

“Os resultados da comparação das avaliações do estado de saúde por situação de pobreza entre 2016 e 2021 confirmam a existência de uma associação negativa no caso das avaliações positivas (a proporção de avaliações positivas da saúde é menor em situação de pobreza), e positiva no caso das restantes avaliações (as proporções de avaliações como razoável ou como mau ou muito mau são maiores em situação de pobreza)”, informa o gabinete de estatística ao divulgar o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento referente ao Estado de saúde.

Nesta linha, 5,7% das pessoas com 16 ou mais anos não puderam satisfazer as necessidades de cuidados médicos e 13,1% a necessidades de cuidados dentários. A falta de disponibilidade financeira como principal motivo foi o principal motivo: para 30% e 70%, respetivamente, das pessoas não puderam satisfazer as necessidades de cuidados médicos e dentários. A subida de ambos rondou 1% face a 2020. O segundo motivo foi a crise pandémica.

Apesar de ter diminuído em ambos os sexos, a avaliação positiva do estado de saúde continuou a ser mais frequente nos homens (54,2% em 2021 e 55,7% em 2020) do que nas mulheres (46,6% em 2021 e 47,4% em 2020), com uma diferença de quase 8 p.p.

É evidenciado o comportamento decrescente da proporção de pessoas com avaliação positiva em 2021, de 93,2% nos primeiros 10 anos de vida para 11,3% após os 80 anos.

Em termos regionais, entre 2020 e 2021, a proporção da população da Região Autónoma da Madeira que avaliou positivamente o seu estado de saúde aumentou de 44,7% para 46,6%, contrariando a tendência decrescente de quase todas as outras regiões do país.

Globalmente, a prevalência de doença crónica ou de problemas de saúde prolongados afetou 43,9% da população em 2021, mais 0,7 % do que no ano anterior e mais 2,7 % do que em 2019.

O ano passado, à semelhança dos anteriores, esta situação continuou a afetar mais mulheres (47,0%) do que homens (40,4%), e especialmente as pessoas idosas (71,4%), numa proporção equivalente a 2,1 vezes a das pessoas com menos de 65 anos (34,1%).

Não é surpreendente, então, que seja evidente a superioridade da prevalência da morbilidade crónica na população reformada (71,1%) em comparação com a da população empregada (30,9%) ou com a da população desempregada (40,6%).

Mais de uma em quatro pessoas (26,6%) referiu efeitos negativos na sua saúde mental devido à pandemia de Covid-19. Esta situação foi referida por mais mulheres (30,2%) do que homens (22,4%) e em proporções bastante semelhantes na população com menos de 65 anos (26,8%) e na população idosa (25,9%).

Por nível de escolaridade, não há diferenças muito significativas, mas por condição perante o trabalho, verifica-se que é na população em situação de desemprego que este indicador atingiu o valor mais elevado (33,7%), 7,1 p.p. acima da média.

Fonte: Jornal Económico


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