Rally de Portugal está fora do calendário do Campeonato do Mundo de Ralis em 2027

29/09/2026 17:47

O Automóvel Club de Portugal (ACP) anunciou esta terça-feira que o Vodafone Rally de Portugal foi retirado do calendário do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC) em 2027. Recorde-se que Viseu tinha sido anunciado como o centro operacional da prova para os anos de 2027 e 2028.

Segundo a nota do ACP trata-se de uma «alteração de última hora», que «força intervalo na presença de um dos mais emblemáticos ralis do campeonato do mundo, admitindo-se regresso em 2028».

«Fruto de alterações feitas pelo promotor no último dia da preparação da próxima temporada do WRC, com o objetivo de a tornar geograficamente tão diversa e intercontinental quanto possível, o Vodafone Rally de Portugal foi uma das provas cuja calendarização foi afetada», acrescentam.

A ACP anunciou que já encetou «as primeiras conversas com o promotor do WRC tendentes à avaliação da possibilidade do Vodafone Rally de Portugal voltar a integrar o Mundial de Ralis em 2028».

O Turismo Centro de Portugal já reagiu à decisão através do seu Presidente, Rui Ventura. O líder do organismo considera que esta decisão «é um murro no estômago».

«Esta é uma notícia profundamente negativa para Portugal e que não pode ser recebida com normalidade. O Rally de Portugal é uma das grandes marcas internacionais do nosso país, construída ao longo de décadas e reconhecida em todo o mundo», afirma.

O presidente da Turismo Centro de Portugal sublinha, em particular, o impacto económico e turístico associado à realização da prova: «Estamos a falar de um evento com um impacto extraordinário na promoção externa de Portugal, na economia dos territórios, na hotelaria, na restauração, no comércio e no emprego. São milhares de visitantes que acompanham a prova e milhões de pessoas em todo o mundo que conhecem Portugal através das imagens do Rally».

Rui Ventura reforça que «para a região, esta notícia é particularmente difícil de aceitar».

«Existia um trabalho em curso para reforçar a presença do Rally no nosso território, com Viseu a assumir um papel relevante, criando uma oportunidade excecional de promoção internacional e de retorno económico para toda a região. Esse trabalho e essa expectativa ficam agora interrompidos», acrescenta.

Rui Ventura considera, por isso, essencial conhecer em detalhe as circunstâncias que conduziram à exclusão da prova portuguesa do calendário de 2027. «É necessário perceber exatamente o que aconteceu. Como é possível que uma prova com este historial, esta notoriedade e este impacto fique de fora do calendário mundial? Que negociações foram realizadas? Que alternativas foram apresentadas? Que condições colocou o promotor? E, sobretudo, o que foi feito para defender até ao limite a presença de Portugal?».

Rui Ventura considera, no entanto, que esse cenário não diminui a importância da decisão tomada para 2027. «Se houve uma alteração de última hora por parte do promotor do WRC para procurar uma maior dispersão geográfica e intercontinental do campeonato, então Portugal deve também perceber por que razão foi o Rally de Portugal a pagar esse preço. Não basta dizer que poderá regressar em 2028. Uma marca internacional desta dimensão não pode entrar e sair do calendário como se nada estivesse em causa», salienta.

O presidente da Turismo Centro de Portugal recorda que poucos eventos desportivos realizados no país apresentam uma capacidade comparável de projetar Portugal internacionalmente e de gerar retorno direto nos territórios por onde passam: «O nosso país acolhe e apoia muitos acontecimentos desportivos, mas alguns têm uma dimensão absolutamente diferenciadora. O Rally de Portugal é um deles. Em 2027 não perdemos apenas uma prova de automóveis: perdemos economia, perdemos dormidas, perdemos promoção internacional e perdemos, durante um ano, uma das grandes marcas de Portugal no mundo».

Rui Ventura defende, por isso, que o momento deve servir para esclarecer integralmente o processo e para preparar desde já o futuro da prova no calendário mundial. «Agora é tempo de explicações e, sobretudo, de garantir que esta ausência não se transforma numa perda definitiva. O Rally de Portugal tem um valor demasiado importante para o turismo, para os territórios e para a imagem internacional do país para que esta decisão seja encarada com resignação», conclui.


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