Mais de 40 por cento dos portugueses considera que a corrupção aumentou em 2020, apontando banqueiros, deputados e empresários como os mais corruptos, revelou hoje a Associação Transparência Internacional, no seu Barómetro Global da Corrupção.
O relatório assenta em inquéritos feitos entre outubro e dezembro do ano passado, a mais de 40 mil pessoas em 27 países europeus, e os resultados indicam que 41% dos inquiridos em Portugal declarou que a corrupção piorou nos 12 meses anteriores.
Quase 90% da população inquirida, declarou que a corrupção é um problema grave no governo de um país.
Para 63% dos inquiridos em Portugal, o seu Governo está a ser orientado por “alguns interesses privados”.
Um terço dos inquiridos identifica os banqueiros como uma das atividades em que a maior parte dos intervenientes é corrupto, enquanto 27% apontam deputados e executivos empresariais.
Com percentagens mais baixas, mas ainda assim relevantes estão os autarcas, governantes, primeiro-ministro, juízes e magistrados, Presidente da República e a polícia.
De acordo com os resultados gerais, um terço dos europeus considera que a corrupção está a piorar no seu país e quase metade afirma que o seu governo está a fazer um mau trabalho a enfrentar o problema.
Segundo os dados do Barómetro, cerca de 30 por cento dos cidadãos paga subornos ou usa ligações pessoais para ter acesso a serviços públicos em áreas como a saúde ou a educação, o equivalente a mais de 106 milhões de pessoas espalhadas pelos 27 países alvo de inquérito.
A Transparência Internacional indica, no entanto, que há “razões para otimismo”, uma vez que “quase dois terços das pessoas na União Europeia acredita que as pessoas comuns podem ajudar travar a corrupção”.
Mais de metade dos inquiridos em Portugal tem medo de sofrer represálias ao denunciar casos de corrupção, ao passo que apenas 40% declarou que denunciar casos de corrupção não implica represálias.
Cerca de 85% dos portugueses acredita que as pessoas comuns podem fazer a diferença no combate à corrupção, com 9% a declararem o contrário.
















