“Os Guardas do Museu de Bagdad” em cena no solar do Vinho do Dão

01/07/2020 17:49

“Os Guardas do Museu de Bagdad” é apresentado ao público nos próximos dias 3, 4 e 5 de Julho, pelas 21h, no Solar do Vinho do Dão, em Viseu.

O texto de José Peixoto foi encenado pela primeira vez há 15 anos, pelo Teatro dos Aloés. Graeme Pulleyn volta a este texto como ponto de partida para uma nova criação, uma nova reflexão “porque muito mudou e muito ficou igual, porque a destruição do património iraquiano, património da humanidade continua, porque esta peça não é sobre o Iraque em 2003, é sobre nós hoje, neste preciso momento, neste preciso lugar.”

São as grandes questões sobre a relação do ser humano com a Arte e consigo próprio que sobressaem neste retrato dos últimos momentos antes do saque do Museu Nacional do Iraque em Bagdad durante a guerra de 2003, em que o conservador do museu e um guarda esperam a inevitável entrada dos saqueadores que irão destruir inúmeras peças de arte, insubstituíveis obras do património iraquiano e mundial. 

O processo criativo começou em julho de 2019, com uma leitura encenada, apresentada no Festival Mescla, em Viseu. Em outubro de 2019, foi apresentado na Incubadora do Centro Histórico, um espetáculo/oficina que desconstrói o texto e apela à interação do público. Era também neste espaço que estava prevista a estreia do momento final deste processo, mas o contexto de pandemia, veio estimular um novo olhar e uma nova abordagem ao texto, que permitisse respeitar todas as recomendações da DGS.

É o Solar do Vinho do Dão, em Viseu, que desta vez se transforma em museu. “Um museu invisível constrói-se a partir de palavras, relatos, memórias, convicções, injustiças, pensamentos e imaginações. A arte do corpo, do som, da imagem, da narrativa, da sugestão, da ficção e da verdade dão forma ao incompreensível, ao inimaginável”, cita a organização a organização.

 Em cena, Emanuel Santos, Gabriel Gomes, Graeme Pulleyn, Joana Martins e Sofia Moura, provoam salas que são fantasmas de si próprias, que pairam entre a realidade e a imaginação, povoadas de espectros, de gente que só existe porque acreditamos que sim. Mas as palavras são reais, duras, violentas, sentidas e apaixonadas. As histórias que contam e as imagens do fotógrafo Rafael Farias, que magicam do ar e das paredes nuas que as envolvem são da nossa vergonha, dos nossos dilemas, das nossas desgraças, mas também de lutas por causas perdidas e de esperança na cara da desistência.

“Os Guardas do Museu de Bagdad” é uma produção de Nicho, financiada pela Direção Geral da Artes / Ministério da Cultura e apoiada pelo Município de Viseu.

O custo dos bilhetes é de três euros, e os bilhetes devem ser adquiridos previamente através do e-mail: bilheteira.nicho@gmail.com.

 

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