Médico da CUF alerta para a importância do diagnóstico atempado da endometriose

21/12/2023 18:30

A endometriose é uma doença prevalente que afeta maioritariamente mulheres em idade fértil e pode ter um forte impacto na sua qualidade de vida. É por isso importante estar alerta, conhecer os sintomas e procurar ajuda precocemente. Miguel Brito, Ginecologista-Obstetra e Coordenador da Unidade de Endometriose do Hospital CUF Viseu fala-nos sobre as evoluções no diagnóstico e nos tratamentos cada vez menos invasivos que permitem devolver qualidade de vida à mulher com endometriose. 

1. O que é a endometriose e qual a sua prevalência? 

A endometriose consiste na presença de endométrio (camada de células que reveste o interior do útero) fora da cavidade uterina, nomeadamente nos ovários, trompas, intestino, vagina, bexiga e ligamentos pélvicos. Mais raramente pode apresenta-se noutras localizações como diafragma, tórax e crânio. 

É uma doença crónica que nas sociedades ditas desenvolvidas, tem uma prevalência de cerca de 10% nas mulheres em idade fértil. Se transpusermos estes dados para a população portuguesa podemos estimar umas centenas de milhares de mulheres com alguma forma de Endometriose.

2. Quais os sintomas que devem motivar a procura de um especialista?

As queixas associadas à endometriose dependem muito do grau da profundidade de invasão da doença e em que órgãos é que ela está mais presente. Digo muitas vezes que os dois grandes sintomas da endometriose são a dor e a infertilidade. Na maior parte das vezes estamos a falar de dor associada à menstruação (dismenorreia), dor na relação sexual (dispareunia), dor nas pernas, dor no “fundo da coluna” e muitas vezes dor generalizada. 

São também frequentes alterações do trânsito intestinal (diarreia/obstipação crónica), hemorragia menstrual abundante e por vezes hemorragias fora da menstruação, cansaço fácil, ansiedade e até alterações do humor.

Pelo facto de os sintomas serem muito semelhantes aos de outras doenças, calcula-se que o atraso no diagnóstico seja em média de 10 anos em relação ao início dos primeiros sintomas. É por isso fundamental que procura de um especialista seja feita o quanto antes. 

3. Que inovações têm ocorrido ao nível do diagnóstico e tratamento desta doença? 

O diagnóstico e tratamento desta doença tem-se feito cada vez mais e melhor pela constituição de equipas de profissionais com dedicação específica a esta doença, as designadas Unidades de Endometriose. Neste tipo de unidades hospitalares é possível realizar o diagnóstico com ecografias e ressonâncias magnéticas específicas que permitem localizar de forma mais precisa a doença permitindo depois um tratamento personalizado. Apesar de no tratamento médico (farmacológico) não podermos falar de grandes avanços nos últimos anos, podemos fazê-lo no tratamento cirúrgico. O recurso à cirurgia minimamente invasiva tem sido cada vez mais uma opção, que tem várias vantagens para a doente comparativamente à cirurgia convencional, nomeadamente, o facto de permitir uma melhor e mais rápida recuperação. Este tipo de cirurgia deve ser devidamente individualizada a cada caso e,  idealmente realizada por profissionais diferenciados no tratamento desta doença. 

4. O que diferencia a Unidade de Endometriose do Hospital CUF Viseu?

A Unidade de Endometriose do Hospital CUF Viseu foi criada precisamente para dar uma resposta qualificada e personalizada às mulheres com endometriose. É constituída por vários especialistas com diferenciação própria nesta área, desde ginecologistas, cirurgiões gerais, urologistas,  psicólogos e nutricionistas. Este tipo de abordagem multidisciplinar é cada vez mais importante não só no rápido diagnóstico como também no tipo de terapêutica a instituir. Tem apostado constantemente na formação dos seus profissionais e em equipamento de ponta para a realização das cirurgias. 

5. Que mensagem deixa às mulheres que apresentem sintomas ou estejam em processo de diagnóstico de endometriose?

A mensagem que deixo é de muita esperança. Tenho assistido, ao longo destes anos, ao que os profissionais desta Unidade foram capazes de realizar: cada vez mais e melhores diagnósticos, possibilitando tratamentos que deram uma nova vida a estas mulheres.

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