O Conselho Cultural da Universidade do Minho atribuiu o Prémio Victor de Sá de História Contemporânea 2022 a Marta Nunes Silva, pela obra “O auxílio à emigração irregular para França e a figura do intermediário no interior rural português (1957-1974)”. Trata-se do maior galardão nacional para jovens investigadores da área. Esta 31ª edição voltou a ter muitos participantes, na maioria com teses de doutoramento.
Em declarações à Rádio Universitária do Minho, a investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, olha para este prémio como um “reconhecimento de vários anos de trabalho e esforço”. O interesse por este período da história começou no mestrado, ainda no ISCTE, visto que encontrou mais “silêncios” do que respostas. Agora, no doutoramento, tentou “desconstruir” a ideia de que o intermediário na emigração para França era alguém “sem escrúpulos” com interesses meramente económicos. “O que a minha tese demonstra é uma realidade mais complexa. Podemos falar de exploradores, mas também de pessoas que veem nesta atividade uma forma de sobrevivência ou de entrar em contacto com outros mundos que de outra forma não seriam possíveis”, explica.
Para este trabalho, a investigadora recorreu a arquivos de tribunais de comarca, câmaras municipais e ao Governo Civil da Guarda. A partir deste estudo “conseguimos ver um meio rural mais complexo e distante da imagem que temos de aldeias atrasadas, pessoas sem pensamento crítico ou submetidas à ditadura”.
Atualmente, a investigadora tem em mãos um novo trabalho, desta vez sobre “A história dos incêndios. Os usos do fogo (1950-2020). Marta Nunes Silva em colaboração com outros investigadores, num projeto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, pretende perceber quais as razões que levam Portugal a ter incêndios de grandes dimensões. “Será uma caraterística atual ou a história irá trazer novas pistas”, questiona. Os dois estudos de caso em análise são: a Serra de Monchique, no distrito de Faro, e a Serra da Lapa e Leomil, em Viseu.
O júri do prémio atribuiu ainda menções honrosas a Luís Pimenta Lopes, professor da Universidade da Madeira, pela tese “A receção do Holocausto em Portugal: mediação e debate intelectual do pós-guerra até 1968”, defendida na UMinho, e a Francisco Henriques, diretor científico do Museu Nacional do Pão, pela tese “Indústria, comércio externo e intervenção pública. As conservas de peixe no Estado Novo (1927-1972)”, defendida na Universidade de Lisboa.
A cerimónia de entrega das distinções está agendada para 15 de dezembro, na reitoria da Universidade do Minho. A investigadora vai receber 3.500 euros e as menções honrosas têm o valor de 500 euros.
O júri do Prémio foi presidido pela professora Fátima Moura Ferreira (UMinho) e teve como vogais os professores Paulo Jorge Fernandes (Universidade Nova de Lisboa) e Cláudia Ribeiro (Universidade do Porto).
Este galardão foi instituído há 31 anos, com base numa doação do historiador e humanista Victor de Sá (1921-2004), sendo reconhecido como de manifesto interesse cultural pela Secretaria de Estado da Cultura e apoiado também por mecenas públicos e privados.















