(i)Literacia em Saúde: A Doença de Crohn 

14/09/2022 19:30

O intestino, conhecido por muitos como “segundo cérebro”, tem uma contribuição fundamental para o bem-estar geral. Assim, é cada vez mais importante cuidar deste, através da adoção de estilos de vida e hábitos saudáveis. Contudo, segundo a Organização Mundial de Gastroenterologia, cerca de 20% da população apresenta problemas intestinais. Dentro das afeções intestinais, destacam-se as Doenças Inflamatórias Intestinais, das quais se salienta a Colite Ulcerativa e Doença de Crohn.1,2 

O que é a Doença de Crohn? 

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crónica recorrente, progressiva e destrutiva, que leva ao aparecimento de sintomas e possíveis complicações. Nesta doença todos os segmentos do trato gastrointestinal podem ser afetados, desde a boca até ao ânus. Os sintomas variam de acordo com a idade de início, localização da doença, a sua gravidade e o comportamento, sendo, por isso, heterogéneos e modificáveis de pessoa para pessoa. O sintoma mais comum é a diarreia crónica, mas existem ainda outros sintomas típicos como a perda de peso, dor abdominal, fadiga e anemia, podendo ainda ocorrer o desenvolvimento de estenoses (estreitamento do canal), fístulas (orifício/canal patológico), abcessos ou outras manifestações como o cancro colorretal.3

Qual a origem da Doença de Crohn?

Até ao momento, a sua origem permanece desconhecida. Pensa-se que pode ser multifatorial, resultando de fatores como a suscetibilidade genética (uma vez que 12% dos indivíduos com a doença apresentam histórico familiar da mesma), a flora intestinal alterada e fatores ambientais, como o tabagismo, abuso de antibióticos na infância, utilização excessiva de anti-inflamatórios não esteroides, stress e dieta.4

Qual o papel do Profissional de Saúde no acompanhamento e aconselhamento da Pessoa com Doença de Crohn? 

A relação entre a Pessoa com Doença de Crohn e o profissional de saúde é importante para possibilitar um adequado esclarecimento de dúvidas, questões e determinados aconselhamentos, bem como para promoção da saúde e minimização da progressão da doença.

Após diagnóstico, o papel interventivo do Profissional de Saúde deve focar-se no acompanhamento da Pessoa com Doença de Crohn a longo prazo, primando pela adesão à terapêutica, prestando informações úteis acerca das características da doença, de possíveis efeitos secundários da medicação, modo de conservação da mesma, via de administração, modo de utilização e respetiva monitorização. Aliado ao tratamento farmacológico, é essencial aconselhar à Pessoa com Doença de Crohn certas medidas não farmacológicas úteis para a condição que apresentam, nomeadamente a necessidade de uma alimentação adequada, com uma dieta correta, a realização de exercício físico, interrupção imediata dos hábitos tabágicos e o controlo do stress e emoções, fatores que têm impacto na condição.  Não obstante, esta patologia não apresenta, ainda, um tratamento que leve à cura definitiva e, por isso, o tratamento farmacológico tem como finalidade a minimização dos sintomas, melhoria da qualidade de vida e a manutenção dos períodos de remissão. 

Ser preventivo tendo, por exemplo, um estilo de vida saudável permite reduzir a probabilidade de aparecimento deste tipo de patologias. A prevenção e promoção da saúde tem impacto individual, na saúde da Pessoa, e coletivo, nos ganhos em saúde da comunidade e gestão de recursos. 

Prevenção = Ganho em Saúde para Todos.

Referências Bibliográficas

  1. Diário da República, 1.a série — N.o 220 — 15 de novembro de 2017.
  2. Dia Mundial da Saúde Digestiva | CFN.
  3. 3rd European Evidence-based Consensus on the Diagnosis and Management of Crohn’s Disease 2016: Part 1: Diagnosis and Medical Management | Journal of Crhon’s and Colitis.
  4. Crohn’s disease | The Lancet.
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