Especialistas consideram positivo a reabertura de creches

16/05/2020 15:25

Esta segunda-feira, 18 de maio, milhares de creches voltam a abrir para o regresso das crianças, dois meses após o encerramento decretado no seguimento da pandemia COVID-19.

A abertura destes espaços tem motivado alguma preocupação de pais e profissionais. Em entrevista à Agência Lusa, o médico pedopsiquiatra Pedro Strecht admite que os receios dos pais em relação aos ricos de contágio são naturais, mas que os benefícios se sobrepõem.

“Estar fora de casa, criar e manter relação com outros adultos e, sobretudo, com crianças da mesma idade é cada vez mais importante para a maioria dos mais novos e é tarefa prioritária de creches e jardins de infância”, sublinha.

A ideia é reforçada pela psicóloga Inês Almeida Ramos, que explica ser benéfico para aquelas que não têm irmãos e que durante os últimos dois meses têm estado apenas com os pais.

Para Pedro Strecht as instituições são igualmente importantes para estimular as crianças em áreas como a linguagem, a autonomia, o jogo e o grafismo.

Neste ponto, Luís Ribeiro, presidente da Associação de Profissionais de Educação de Infância (APEI), considera que o papel dos educadores de infância é particularmente importante: “As oportunidades educativas que são dadas às crianças desde que nascem são extremamente importantes para o desenvolvimento delas e essas oportunidades educativas passam nos primeiros anos de vida fundamentalmente por interações de qualidade, com outras crianças, mas também com os educadores”.

Regresso vai ser, igualmente, importante para os pais

Na entrevista à Lusa, o representante dos profissionais, o pedopsiquiatra e a psicóloga ouvidos pela Lusa, admitem que a medida vai permitir devolver também aos pais alguma normalidade.

Inês Ramos refere que os pais podem agora regressar aos seus empregos e Pedro Strecht explica que, durante a fase que passou, aqueles que estiveram em regime de teletrabalho enfrentaram dificuldades em conjugar a sua atividade profissional com o cuidado atento dos filhos.

“estamos a dizer às crianças que tudo aquilo que aprenderam até agora é para esquecer”

A psicóloga Inês Ramos é, no entanto, mais cautelosa e reconhece que as condições em que as creches vão reabrir podem pôr em xeque o melhor da vivência dos mais novos nas creches, onde as crianças começam a aprender a partilhar e a brincar em conjunto.

“É muito complicado, porque estamos a dizer às crianças que tudo aquilo que aprenderam até agora é para esquecer”, afirma a psicóloga, admitindo que a nova realidade vai, inevitavelmente, criar estranheza nas crianças, que poderão, por outro lado, absorver também o receio dos pais.

Recorde-se que o regresso das crianças às creches está sujeito a novas regras, como o distanciamento físico entre as crianças, sempre que possível, ou a não partilha de brinquedos.

Ainda assim, Inês Ramos acredita que a “capacidade de adaptação excecional” das crianças possa facilitar o regresso e que também os educadores de infância se vão conseguir reinventar.

A confiança nos profissionais é um dos principais apelos do presidente da APEI, que afirma que todos estão a trabalhar para assegurar uma reabertura segura. E acrescenta: “Se os pais achavam que havia uma resposta de qualidade antes, obviamente que se mantém, porque um bom educador de infância é bom em qualquer contexto”.

MYCA // HB

Lusa/Fim

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