A propósito da Semana Europeia Contra o Cancro que se assinala de 25 a 31 de maio, Rita Félix Soares, Oncologista no Hospital CUF Viseu, fala-nos da importância do diagnóstico precoce e da evolução dos tratamento das doenças oncológicas, que nos permitem encarar esta doença com mais esperança.
Quais os últimos avanços nos últimos anos ao nível do diagnóstico e tratamento do cancro?
A abordagem do cancro tem beneficiado de inúmeros avanços despoletados pela investigação clínica. Temos assistido ao desenvolvimento de diagnósticos mais rápidos, terapêuticas mais precisas, maior sobrevivência e melhor qualidade de vida.
Um dos exemplos destes avanços no tratamento do cancro é a imunoterapia que consiste em capacitar o sistema imunitário no combate ao tumor. No fundo, o sistema imunitário é usado para atacar as células do cancro e esta tem sido a grande aposta em vários tipos de tumores.
Também as terapêuticas dirigidas a alvos moleculares têm sido foco de grande investigação. Este tipo de tratamento assenta no conhecimento profundo da biologia das células tumorais, atuando diretamente em alterações específicas de cada tumor.
No entanto, o futuro dos tratamentos oncológicos passa por uma área em grande desenvolvimento: a medicina de precisão. O conhecimento da biologia dos tumores e o aumento do conhecimento da interação do tumor com o sistema imunitário tem permitido grandes avanços nos últimos anos. A capacidade de oferecer um medicamento dirigido a uma determinada alteração detetada, poderá permitir ter um grande impacto na história natural da doença. Apesar do caminho ainda ser longo, existem razões para ter ainda mais esperança.
Quais as valências do Hospital CUF Viseu que lhe permitem estar preparado para dar resposta às necessidades dos doentes oncológicos?
Um diagnóstico rápido e preciso é fundamental no sucesso do tratamento e no prognóstico da doença, e para tal, os recursos tecnológicos e humanos especializados são importantes. Neste sentido, o Hospital CUF Viseu tem vindo a apostar no acesso às Vias Verdes de Diagnóstico de Cancro permitindo um diagnóstico atempado perante a suspeita de doença oncológica.
Sendo o cancro uma doença complexa no seu diagnóstico e tratamento, a articulação das várias especialidades é fundamental. As doenças oncológicas são abordadas de uma forma integrada, em reuniões multidisciplinares, sendo privilegiada uma estreita articulação entre as diferentes especialidades médicas e cirúrgicas, mas também com todas as valências clínicas disponíveis na rede CUF. Os doentes oncológicos têm à disposição apoio de enfermagem, nutrição e psicologia, especializados em oncologia, acompanhamento clínico através da Linha de Apoio ao Doente Oncológico, uma linha de enfermagem ou, ainda, através do Atendimento Permanente.
Qual a importância de um diagnóstico precoce e de um acompanhamento médico regular?
O sucesso de um tratamento começa na fase do diagnóstico, na identificação precoce da doença. Os doentes oncológicos cujo diagnóstico é feito num estádio precoce do tumor têm maior probabilidade de sobreviver à doença, de terem uma menor morbilidade no tratamento e maior qualidade de vida, quando comparados com aqueles cujo diagnóstico é feito numa fase mais avançada da doença. O acompanhamento médico regular não deve ser descurado pois assume especial importância precisamente na deteção precoce.
É igualmente essencial apostar na investigação científica ao nível da prevenção do cancro. É importante perceber porque é que o cancro surge e quais os melhores métodos de prevenção.
Quais os sintomas a que a população deve estar atenta e em que situações é imprescindível procurar ajuda médica?
Apesar de não podermos generalizar e associar determinados sintomas à doença oncológica, existem alguns sinais de alerta que devem motivar a observação médica atempada, como é o caso das alterações recentes do trânsito intestinal, surgimento de corrimento mamilar ou nódulo mamário.
O cancro pode ser uma doença silenciosa e a chave para o sucesso é o diagnóstico precoce. Desta forma, é importante conhecer o nosso corpo e visitar regularmente o médico, assim como a realização dos rastreios oncológicos instituídos.
















