ENTREVISTA: Carnaval de Cabanas de Viriato promove uma “Dança dos Cus” em casa

16/02/2021 14:59

O carnaval de Cabanas de Viriato conta com mais de dois séculos de história e sem nenhuma paragem. 2021 trouxe à vila um silêncio nas ruas durante estes dias.

O Viseunow esteve à conversa com Filipe Rodrigues, representante da Associação de Carnaval de Cabanas de Viriato, que nos falou da ausência da festividade presencial, a aposta no online e do próximo ano. 

2021 fica marcado pela ausência do típico Carnaval nas ruas de Cabanas de Viriato. Como está a ser vivido este ano tão diferente?

Infelizmente é um ano completamente atípico e, como disse e bem, diferente até é um adjetivo bastante leve nesta situação. O que é certo, é que continuamos a tentar interagir com todos os foliões e com todos os que gostam do carnaval em geral.

Recorremos neste caso à internet e fizemos alguns diretos, sempre procurando uma interação, com perguntas e respostas, ou mesmo com lembranças e curiosidades.

Enfim, temos de alguma forma tentado dinamizar o máximo possível o nosso carnaval e levá-lo às pessoas, na segurança de suas casas.

Entretanto iniciamos de uma forma geral, como é apanágio da nossa associação, “a Vila Carnaval”, ou melhor, incentivar as pessoas, já que estão em casa, a colorir as suas casas e colocar alguns endereços carnavalescos para que consigamos dar assim uma alegria e evidenciar que a nossa Vila é, de facto, uma Vila Carnaval.

Acredito que a ausência da habitual animação, não seja fácil de explicar aos mais pequeninos e, aos mais velhos.

Sem dúvida, principalmente diria, aos mais velhos que já estão muito habituados, e de tal forma preparados para se divertirem, para se transformarem nestas alturas, efetivamente, notam essa grande diferença.

Claro que os mais jovens estão ainda naquela fase de aprendizagem, de começar a criar o dito “bichinho” e, naturalmente, também notam, mas acho que se adaptam mais facilmente.

Agora, é certo que, é muito triste e pensando na nossa história que tem cerca de dois séculos de existência ininterrupta, vamos ter pela primeira vez uma interrupção que não era expectável, sem precedentes e que nos deixa demasiado apreensivos para o futuro. Mas, bom temos de pensar que o futuro vai ser diferente.

As vossas ruas normalmente enchiam-se de curiosos. Qual é a sensação de chegarem às varandas e verem as ruas vazias, sobretudo nesta terça-feira de Carnaval?

É aquele sentimento de profunda tristeza, de profunda mudança e, não gostaria de usar esta expressão, mas, se calhar, um presente futuro normal.

Temos de nos habituar a isto, é certo que, repito, não estamos habituados, não temos aquele som que nos alegra durante duas semanas nas ruas constantemente, não temos aquela vivacidade lógica dos adereços que seriam em muito maior número, também espalhados pelas ruas.

Mas, principalmente, não temos o ser humano a circular, aquela massa de pessoas que, de facto, vivência e participa de uma forma vergada e sem qualquer tipo de restrições, sem qualquer tipo de problemas.

Vêm com o fato de trabalho, vêm com o fato executivo, vêm mascarados, entram na dança e enfim, tornam a dança dos cus aquilo que é o ex-libris da região e um cartaz turístico do concelho, sem dúvida imensurável.

Este ano as pessoas também dançaram em casa apesar de tudo?

Claramente, não há outra forma de o fazer. Aliás, é uma das coisas que temos incentivado desde o início e temos feito inúmeras interações, inúmeros vídeos e participações onde realmente isso está representado.

As pessoas têm feito as suas brincadeiras, fazem as suas danças em casa, divertem-se em família, mas com a máxima segurança, no fundo é esse o nosso principal objetivo.

2022, acreditamos que seja um ano onde a folia será redobrada, dentro daquilo que será possível, voltar no próximo ano.

Esse é de facto o nosso objetivo. Já está estabelecido, temos algumas metas bem definidas e em 2022, se a pandemia nos permitir, vamos fazer de tudo para que a compensação seja feita, que os foliões possam usufruir e divertir-se em dobro, e até mais do que isso, com consciência, com toda a vontade do mundo, vamos tentar que isso aconteça.

Claro que, neste momento, tudo isto nos deixa algumas incógnitas, mas continuamos a pensar de forma positiva.

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *