Duelo de titãs em Viseu: João Azevedo está confiante em resultado histórico e Fernando Ruas quer cumprir um último mandato

05/10/2025 18:14

O Município de Viseu, onde se encontra a capital da sub-região de Viseu Dão-Lafões, tem uma extensão de 507,10 km² e 103 502 habitantes, segundo estimativa do INE de 2024. Além das Uniões de Freguesias de Barreiros e Cepões, e de Boa Aldeia, Farminhão e Torredeita, o concelho é ainda composto pelas freguesias de Abraveses, Bodiosa, Calde, Campo, Cavernães, Cota, Coutos de Viseu, Fragosela, Faíl e Vila Chã de Sá, Lordosa, Mundão, Orgens, Povolide, Ranhados, Repeses e São Salvador, Ribafeita, Rio de Loba, Santos Evos, São Cipriano e Vil de Souto, São João de Lourosa, São Pedro de France, Silgueiros, Viseu.

São sete as forças partidárias que se digladiam na arena autárquica. Fernando Ruas recandidata-se pelo PPD/PSD. Na ala mais à direita posicionam-se ainda Hélder Amaral, do CDS-PP; Bernardo Pessanha, do CHEGA; Hélio Marta, da Iniciativa Liberal e Paulo Quintão, do ADN. O PS avança novamente com João Azevedo e Leonel Ferreira é a cara da CDU.

O economista e histórico líder social-democrata, Fernando Ruas, candidata-se, aos 76 anos, a um segundo mandato, após o regresso em 2021. O antigo presidente da Associação Nacional de Municípios esteve à frente da cidade de Viriato entre 1989 e 2013, altura em que saiu devido à limitação de mandatos, tendo, no ínterim, de 2014 a 2019, exercido o cargo de eurodeputado. Nesta que diz ser a sua última corrida autárquica, o atual presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões quer encerrar um ciclo de investimentos, que passam por intervenções nas áreas da habitação, desporto, mobilidade e acessibilidades. A conclusão do Centro de Artes e Espetáculos, a construção de uma barragem em Fagilde, a requalificação do Itinerário Principal (IP) 3 e ligação de Viseu à linha ferroviária da Beira Alta são algumas tónicas no seu discurso político.

 Aos 58 anos, Hélder Amaral quer honrar o legado do partido e voltar a dar protagonismo ao CDS-PP. Deputado à Assembleia da República pelo CDS-PP entre 2002 e 2019, o técnico de Turismo e atual técnico especialista do Ministério das Infraestruturas e Habitação, Hélder Amaral volta, 12 anos depois, a integrar o leque de nomes que se perfilam para a presidência. Com o lema “Viseu com Mais Ambição”, o centrista quer uma cidade mais cosmopolita, com o destaque a recair na criação de riqueza, emprego e massa crítica. Algumas propostas essenciais passam pela criação de uma Universidade Pública e a revitalização de espaços e iniciativas, como o mercado de produtores, o centro histórico e a Feira de São Mateus.

Pelo CHEGA apresenta-se Bernardo Pessanha, consultor de comunicação, de 42 anos, natural de Viseu e deputado na Assembleia da República desde 2024. As diretrizes do também presidente do Conselho de Jurisdição Nacional no CHEGA passam pela redução do IRS, por mais controle no acesso à habitação social e promoção de habitação acessível, assim como um maior policiamento e fiscalização. O candidato aponta ainda como prioridades a atribuição de mais competências às freguesias, o estacionamento urbano e o regresso do Mercado de Produtores ao centro histórico.

O candidato da Iniciativa Liberal, Hélio Marta é natural de Armamar e vive na capital de distrito desde 2008. Aos 48 anos, o percurso profissional foi em grande medida no setor das energias renováveis e tem como imperativo, nesta campanha, um município mais eficiente transparente e inovador. Envolvido, há décadas, no associativismo cultural, a concretização de algumas ideias liberais e reformistas de Hélio Marta passam pela melhoria das acessibilidades e de transportes ecológicos, reforço do investimento nas estruturas de apoio à restauração e áreas de lazer, redução de impostos e taxas, fiscalização de habitações precárias não autorizadas, dinamização do centro histórico e alteração do dia de realização da feira semanal, tornando-a também mais aberta a iniciativas culturais.

Candidatura única a municípios no distrito de Viseu é a de Paulo Quintão, pela ADN (Alternativa Democrática Nacional). O gestor comercial prioriza na sua proposta política a segurança, a proteção civil e da ação social. Bombeiro voluntário durante mais de duas décadas, defende um envolvimento mais ativo dos cidadãos na política municipal e propõe formação em proteção civil à população, reabertura do antigo quartel no centro da cidade, reforço do parque de viaturas e das Equipas de Intervenção Permanente. Ao nível social e de apoio às famílias, uma medida forte é a gratuidade das refeições escolares. No âmbito da segurança, o foco passa pela reestruturação da Polícia Municipal, pelo aumento de efetivos da PSP e GNR no concelho e pelo reforço da videovigilância.

No setor direcionado à esquerda, o nome de João Azevedo é o mais sonante. Nas últimas autárquicas conseguiu o melhor resultado de sempre para o Partido Socialista no reduto social-democrata e ambiciona, neste pleito, ultrapassar a fasquia e mudar os protagonistas na governação, num círculo eleitoral anteriormente apelidado de “cavaquistão”. Licenciado em Educação Física, João Azevedo comandou os destinos do município vizinho de Mangualde, de 2009 a 2019, altura em que renunciou para assumir a posição de deputado na Assembleia da República. As 16 áreas de intervenção do seu programa vão desde a saúde, habitação, emprego, à eficiência energética, desporto, agricultura e floresta, passando pela mobilidade e transformação digital. Durante a campanha, o candidato socialista avançou que em caso de eleição minoritária, pondera considerar acordos com forças políticas de outros quadrantes.

A CDU – Coligação Democrática Unitária, formada pelo Partido Comunista Português e pelo Partido Ecologista “Os Verdes”, fecha o rol dos candidatos com Leonel Ferreira. A CDU – Coligação Democrática Unitária, formada pelo Partido Comunista Português e pelo Partido Ecologista “Os Verdes”, fecha o rol dos candidatos com Leonel Ferreira, membro eleito da Assembleia de Freguesia de Viseu entre 2017 e 2021. O enfermeiro de 56 anos, natural de Viseu, mas a trabalhar em Aveiro, tem a mobilidade e a descentralização como prioridades, a par da saúde e segurança públicas, infraestruturas e gestão da água, desporto e associativismo. Promover o comércio local, com a revitalização da feira semanal, o regresso dos produtores ao Mercado 2 de Maio e maior controle no surgimento de novas superfícies comerciais são algumas ações que quer ver implementadas. O profissional de saúde destaca também a criação de uma unidade de cuidados continuados e paliativos em Viseu e a melhoria dos transportes públicos ao nível de horários e rotas entre o centro e a periferia.

Há quatro anos, a diferença entre o PPD/PSD e o PS foi de 4 395 votos, com os primeiros a conseguirem cinco mandatos (46,68%) e os segundos quatro (38,26%). No CHEGA votaram 1 542 eleitores; na IL, 1 147; no CDS-PP, 1 054; no B.E., 1 051; no PAN, 657; e na CDU (PCP/PEV), 609.

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