A empresa de Viseu AIV – Advanced Intel Vision realizou uma demonstração na pista de drones da Fajã da Praia do Norte, na Ilha do Faial, nos Açores, que procurou testar as aeronaves não tripuladas para operações de emergência nos Açores. A demonstração reuniu três drones numa única plataforma e testou missões de busca e salvamento, transporte de material médico e avaliação de acidentes.
O projeto prevê criar uma rede de estações de drones nas 17 corporações de bombeiros dos Açores, ligadas a um centro de operações regional.
«Encontrar uma pessoa desaparecida durante a noite, avaliar um acidente antes da chegada dos meios de socorro ou levar material médico a uma embarcação em dificuldade», foram estas algumas das situações demonstradas no Faial pela AIV – Advanced Intel Vision, numa operação que mostrou como os drones podem ser coordenados a partir de uma única plataforma para apoiar missões de emergência.
O exercício decorreu na pista de drones da Fajã da Praia do Norte e reuniu três aeronaves não tripuladas, coordenadas através de um software, desenvolvido por esta empresa de Viseu, que concentra, num único ecrã, imagens, localização dos meios no terreno, alertas e informação sobre o espaço aéreo.
Uma das missões foi mesmo comandada a partir de Espanha, a mais de 2.000 quilómetros de distância, demonstrando a possibilidade de operar um drone remotamente. Ao longo da demonstração foi possível testar quatro cenários: o reconhecimento de uma embarcação que necessitava de material médico; a entrega desse material por um drone de carga, acompanhada por outro drone que registou a operação; a localização de uma pessoa desaparecida através de uma câmara térmica; e a avaliação de um acidente rodoviário antes da chegada das equipas de emergência.
O objetivo do projeto é levar esta capacidade às nove ilhas dos Açores e prevê instalar estações autónomas de drones nas 17 corporações de bombeiros da Região, ligadas a um único centro de operações. Em caso de alerta, estas estações podem descolar drones para recolher imagens diurnas e noturnas, incluindo imagens térmicas, sem que seja necessário deslocar uma equipa ao local para preparar o voo.
A informação recolhida permite às equipas da Proteção Civil avaliar mais rapidamente cada ocorrência e decidir como atuar. Entre as aplicações previstas estão a procura de pessoas desaparecidas, a identificação de embarcações em dificuldade, o acompanhamento de incêndios e acidentes e a avaliação dos estragos provocados por tempestades, sismos ou derrocadas.
«Os drones vão fazer parte do dia a dia — no socorro, no transporte entre ilhas, no mar e em muitos outros setores. Para isso, têm de voar em segurança ao lado da aviação, coordenados a partir de um só sítio. É esse o software que estamos a construir, e os Açores são o lugar certo para o provar», afirma Guilherme Simões, fundador da AIV – Advanced Intel Vision.
A demonstração evidenciou também o potencial dos drones para transportar medicamentos, material médico e alimentos para locais isolados ou entre ilhas. Estas aplicações poderão ser desenvolvidas numa fase posterior, à medida que o projeto avance e sejam reunidas as condições operacionais e as autorizações necessárias.
A iniciativa nasceu no Faial, em colaboração com a Proteção Civil e a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Faial, e conta com a ADFMA – Associação para o Desenvolvimento e Formação do Mar dos Açores como parceira desde a sua origem, estando esta também ligada à pista de drones da ilha. A presidente da ADFMA, Ana Paula Rodrigues, destacou a possibilidade de acompanhar vários drones em simultâneo e a sua utilidade em operações de Proteção Civil, nomeadamente na entrega rápida de bens a uma embarcação.
A Advanced Intel Vision é uma empresa portuguesa de tecnologia. Desenvolve software e soluções de inteligência artificial para operações críticas, reunindo informação de drones, câmaras, rádios, sensores e outros sistemas numa plataforma comum. A tecnologia ajuda as equipas a acompanhar ocorrências, partilhar informação e tomar decisões mais informadas, mantendo sempre a decisão operacional sob responsabilidade humana. A empresa desenvolve também o AIR.DATA, uma plataforma que já trabalha com dados reais do espaço aéreo português.










