As grandes óperas da atualidade em exibição no Teatro Viriato

08/01/2020 18:21

Do Teatro Viriato para o palco do The Metropolitan Opera House com a exibição das grandes produções de ópera da atualidade 

Handel, Wagner, Puccini, Donizetti e outros reconhecidos compositores de ópera integram a nova temporada do Teatro Viriato, no âmbito do programa The Met: Live in HD, do Met Opera de Nova Iorque. Através da utilização de elevadas condições técnicas, o Met Opera apresenta-nos as mais extraordinárias e atuais produções de ópera, tornando estas transmissões um acontecimento cultural imprescindível. Em 2020, o Teatro Viriato apresenta seis óperas, das quais quatro são novas produções.

Ao combinar o imediatismo da performance ao vivo com entrevistas em tempo real e a revelação de segredos dos bastidores, o The Met: Live in HD é uma oportunidade para todos os que querem descobrir o poderoso imaginário criado por esta disciplina artística, assim como uma oportunidade para os amantes de ópera atualizarem o seu conhecimento sobre o que de melhor se produz nesta área. O Teatro Viriato continua assim a promover o acesso facilitado a esta disciplina artística.

Wozzeck é a primeira proposta da temporada do Met Opera em 2020. O diretor musical do Met Opera Yannick Nézet-Séguin sobe ao palco para conduzir esta nova produção, um trabalho que ele descreve como “talvez a partitura mais complexa e mais devastadora em termos emocionais”. Wozzeck é, acima de tudo, uma história sombria de amor, loucura e crime que se desenrola num universo pós-apocalíptico da Primeira Guerra Mundial. De cena para cena, fragmentos rítmicos e melódicos alternam com o humor, para assim demonstrar a evolução da loucura do soldado Wozzeck e refletir o precário estado mental do protagonista.

Em fevereiro, aquele que é considerado pelo jornal The New York Times o “dueto de amor mais emocionante em toda a ópera”, chega ao Teatro Viriato. Porgy and Bess, uma das óperas favoritas da América, transporta o público para Catfish Row, na orla de Charleston (EUA), para a dança, para a emoção, para a música vibrante dos seus habitantes. É um retrato sensível de uma comunidade negra em dificuldades durante a década de 20. A nova produção do Met Opera é protagonizada pela dupla dinâmica Eric Owens, que consegue uma das melhores performances da sua distinta carreira e Angel Blue que consegue captar o orgulho e a fragilidade da sua personagem de forma radiante.

Agrippinna, conto de intriga e inconveniência de Handel é trazido da Roma antiga para o “presente”, numa nova produção do Met Opera. Agrippina é uma ópera trágica e cómica, uma fusão entre um lado sério com um tom humorístico, uma espécie de farsa francesa, onde as personagens evocam e remetem para o universo shakespeariano de Macbeth. Ópera em três atos, conta a história de Agrippina, e de como ela pretende que o seu filho Nero assuma o trono do imperador romano Cláudio. Sir David McVicar reorganiza engenhosamente a ação desta comédia negra sobre abuso de poder, que conta com a interpretação da conceituada mezzo-soprano Joyce DiDonato, num papel de mulher controladora e sedenta de poder.

O premiado Sir Bryn Terfel regressa ao Met Opera, pela primeira vez desde 2012, para interpretar o papel do amaldiçoado capitão do mar, de Der Fliegende Holländer. Com os cenários arrebatadores de John Macfarlane, esta nova produção de Der Fliegende Holländer transforma o palco do Met numa tela, numa pintura a óleo, na qual sobressai a música que, como se de um filme se tratasse, representa com realismo a força do mar e das tempestades. François Girard, cuja recente produção fascinante de Parsifal impressionou o público do Met Opera, assina a nova produção desta misteriosa obra de arte de Wagner.

A fantástica soprano Anna Netrebko volta novamente a ocupar lugar de destaque nas produções do Met Opera ao interpretar o papel de diva explosiva em Tosca. Com um argumento de livro policial, Tosca pode ser considerado o grande thriller pucciano. Em Itália, num ambiente político tenso, Floria Tosca, cantora lírica e personagem principal desta trama, está disposta a tudo para salvar o seu amado Mario Cavaradossi das garras do pérfido barão Scarpia.

A temporada do Met Opera termina com a trágica história da rainha escocessa Maria Stuarda, de Donizetti. Na trama, o autor coloca frente a frente, Maria Stuarda e Elizabeth I, lançando, simultaneamente, uma reflexão sobre a liberdade moral em contraposição à luta pelo poder e à procura de harmonia. A soprano Diana Damrau, após o seu triunfo como Violetta na nova produção de La Traviata da última temporada do Met, assume o papel da mártir Maria Stuarda. A mezzosoprano Star Jamie Barton é a sua imperiosa rival, a rainha Elizabeth I.

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