A votação de dia 25/09/2024 no Parlamento Europeu, que coloca em causa a proteção do lobo ibérico, é mais um capítulo sombrio nesta história de descaso com a natureza. A decisão de retirar o lobo da lista de espécies protegidas, alicerçada numa narrativa falaciosa e em interesses mesquinhos, é um sinal claro da direção que a nossa União está a tomar: a da destruição sistemática dos nossos ecossistemas em prol de preferências pessoais e decisões emocionais.
Paralelamente, assistimos à persistente resistência em dotar os nossos bombeiros das condições mínimas para combater os incêndios florestais. Enquanto Portugal arde, as pessoas que arriscam as suas vidas para proteger as nossas comunidades e o nosso património natural são relegados para segundo plano. A falta de investimento no corpo de bombeiros é pura negligência contra a segurança de todas as pessoas, plantas e animais em Portugal.
E, por fim, temos a figura do presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), que insiste em defender a monocultura de eucaliptos (fonte: jornal de negócios), uma espécie altamente inflamável e que contribui significativamente para a propagação dos incêndios. As investigações científicas, como as referidas nos artigos referenciados no fim deste texto, são claras: os eucaliptais e os pinhais são os combustíveis que alimentam os fogos que devastam o nosso país.
A floresta portuguesa está a ser há muito sacrificada em nome de interesses económicos e políticos. A aposta numa agricultura intensiva e numa gestão florestal predatória está a transformar o nosso país num deserto verde, cada vez mais vulnerável aos efeitos das alterações climáticas. Os incêndios são agora algo que tomamos como quase certo com a chegada do verão.
Mas a responsabilidade por esta situação não é apenas de quem está nos centros de decisão. É de todos nós. É nossa a responsabilidade de exigirmos uma mudança de paradigma, de exigirmos que quem nos governa coloque a proteção da natureza e a segurança das pessoas acima de qualquer outro interesse.
Não podemos continuar a assistir impassíveis à destruição do nosso património natural. É urgente que se comece a exigir verdadeiras políticas de proteção ambiental, como a criação do crime de ecocídio, tornar as florestas património público e retirá-las do privado (84,2% das florestas portuguesas são privadas e 13,8% pertence a terrenos comunitários, o que deixa os restantes 2% na mão pública, contradizendo as trends globais). É mais que urgente um governo que invista na prevenção de incêndios, que promova a gestão florestal sustentável e que proteja a biodiversidade, e não que use estes temas como promessa eleitoral, deles se esquecendo após. Exigimos um futuro diferente para Portugal, um futuro em que a floresta seja um bem a proteger e não um inimigo a combater.
https://pefc.pt/o-que-fazemos/porque-e-importante-cuidar-da-floresta/a-floresta-portuguesa https://florestas.pt/conhecer/propriedade-florestal-em-portugal-privada-fragmentada-e-com-escassos-planos-de-gestao/
















