ARTIGO DE OPINIÃO: Trabalhamos para viver ou vivemos para trabalhar? 

25/05/2024 18:57

É amplamente reconhecido que, atualmente, vivemos numa sociedade acelerada, focada na produtividade incessante, 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano. O que realmente importa são os números e os resultados, alcançar as metas definidas, não parar, não desistir. Damos connosco a colocar o nosso bem-estar em terceiro e quarto lugares e a ter de abdicar de momentos de lazer na nossa vida diária em prol do trabalho. 

Por fim, chega o Verão, sinónimo para muitos das tão desejadas férias, período de prazer e descanso, sonhados ao longo do ano. Parar para o devido descanso é não só um direito merecido, mas também uma condição essencial para a nossa saúde física e mental, que não podemos descurar. Pessoas que não param, correm o grande risco de atingir um desgaste físico e psicológico de tal ordem elevado, que acabam por desenvolver quadros de Burnout graves, caracterizados por sintomas de depressão, ansiedade, alterações graves do sono, dificuldades de atenção, para além da diminuição significativa da sua qualidade de vida.  

Quando paramos e desligamos o piloto automático das obrigações diárias, entramos mais facilmente em contacto com o nosso self interior e assim conseguimos fazer balanços sobre a nossa vida, redefinir prioridades e perceber melhor objetivos e como os atingir. É neste espaço e tempo que se abre para nós, que entramos em contacto com novas ideias e diferentes perspetivas que nos podem trazer a tão desejada realização pessoal e satisfação. O cérebro mais descansado é bem mais criativo, mais produtivo e promotor de um maior bem-estar.  

Assim, podemos colocar a questão: porque é que os momentos de lazer, parte tão importante da nossa vida, são tão significativamente menores do que os momentos de trabalho? Durante a semana, muitos trabalhadores sentem-se presos a horários rígidos, tarefas repetitivas e pressão das chefias. Este cenário pode levar à sensação de que os dias úteis são apenas uma preparação para os momentos em que finalmente se pode viver de verdade: os fins de semana e as férias. A raiz deste problema pode estar na falta de equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Muitas vezes, o trabalho consome a maior parte do tempo e da energia das pessoas, deixando pouco espaço para hobbies, convivência com a família e amigos, e até mesmo para o descanso adequado. A ideia de que só é possível encontrar felicidade nos momentos de folga é um sinal de que algo está desequilibrado na forma como se encara a jornada de trabalho. Para romper este ciclo, é essencial procurar formas de integrar mais prazer e significado na rotina diária. Isto pode envolver mudanças no ambiente de trabalho ou até mesmo do próprio trabalho… Outra abordagem é procurar atividades que tragam satisfação e realização pessoal fora do trabalho, como hobbies, exercício físico e momentos de convivência com pessoas queridas. Para além disso, é importante cultivar uma mentalidade que valorize o presente e encontre pequenas alegrias no dia-a-dia. Práticas como a gratidão, a meditação e a atenção plena podem ajudar a focar no momento presente e apreciar as experiências diárias, em vez de viver constantemente à espera do próximo período de folga. 

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